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16 e 17 de junho de 1998. As autoridades da Segurança de Estado cubano entregam ao FBI 230 páginas sobre as atividades terroristas contra Cuba. O FBI admite estar impressionado com as numerosas provas e promete responder em duas semanas. 12 de setembro 1998. Os cinco são detidos pelo FBI. Este informa a Ileana Ros Lehtinen e Lincoln Diaz Balart, representantes da contra-revolução no Congresso dos Estados Unidos, que foram presos alguns "espiões cubanos". 12 setembro 1998. Estão confinados em celas de castigo. Durante 17 dias permanecem de mãos atadas nas costas e são interrogados incessantemente. 15 setembro 1998. São acusados pelo FBI de conspiração e agentes estrangeiros. Pela primeira vez, a juíza Lenard veta pedido de mudança de jurisdição (julgamento fora de Miami). 20 setembro 1998. Levam-nos a celas de castigo na Unidade Especial de Confinamento. Permanecem confinados até 3 de fevereiro do 2000. As autoridades rechaçaram várias moções dos advogados de defesa sobre a ilegalidade dessas condições de encarceramento. 2 outubro 1998. São acusados de espionagem, detidos sem direito à fiança e ficam à espera de julgamento. Maio 1999. Após campanha na imprensa de Miami, a Promotoria anuncia o cargo de "conspiração para assassinar" (Vincula-se o caso com a derrubada das aeronaves que violaram o espaço aéreo de Cuba em 24 de fevereiro de 1996). 7 maio 1999. A Promotoria apresenta um segundo relatório com a imputação de conspiração para assassinar ligada às aeronaves. 16 maio 2000. A juíza federal Lenard declara que o julgamento será mais interessante do que um programa de televisão. Setembro 2000. Olga Salanueva, mulher de René, é detida e pressionada a declarar contra seu marido. 27 novembro 2000. Começa a escolha do júri. 6 dezembro 2000. Começam as vistas orais do julgamento. Terá 103 sessões e uma duração de sete meses. Final do 2000. A mulher de René é deportada e se encontra com suas duas filhas em Cuba. Janeiro do 2001. A imprensa anticubana de Miami fala no "maior julgamento de espiões na história da Flórida". 2 março 2001. O jornal El Nuevo Herald, porta-voz da máfia da contra-revolução assinala: "A percepção é que os indiciados deixaram de ser os espiões e a comunidade cubano-americana, especialmente Hermanos al Rescate, foi sentada no banco dos réus". 30 abril 2001. A máfia anticubana admite que a Promotoria não apresentou testemunhas militares a favor da teoria de atentado contra a segurança nacional dos Estados Unidos. 4 junho 2001. O júri começa a deliberar, o presidente informa que o veredito será anunciado na sexta-feira. 8 junho 2001. O júri declara os cinco culpados sem formular nenhuma pregunta. 17 junho 2001. Os cinco endereçam mensagem ao povo dos Estados Unidos explicando sua luta contra o terrorismo anticubano. Em represália, são confinados de novo em celas de castigo. 20 junho 2001. Cuba divulga a verdade toda sobre sua missão. 18 julho 2001. Publica-se "Desde mi altura", livro de poemas de Antonio Guerrero, em edição bilingüe espanhol- inglês. 26 julho 2001. Mais de um milhão de cubanos, na capital, exigem sua libertação em gigantesco desfile. O promotor se reúne publicamente, em Miami, com os chefes da máfia anticubana e estes admitem que o propósito dos cinco era vigiar esses grupos. Surgem os primeiros comitês pela sua libertação em diferentes países, inclusos os Estados Unidos. 10 dezembro 2001. Começam as vistas de sentença. A promotoria pede sentença severa. 12 dezembro 2001. Gerardo Hernández pronuncia seu alegado. 13 dezembro 2001. Ramón Labañino Salazar pronuncia seu alegado. 14 dezembro 2001. René González Sehwerert pronuncia seu alegado. 18 dezembro 2001. Fernado González Llort pronuncia seu alegado 27 dezembro 2001. Antonio Guerrero Rodriguez pronuncia seu alegado. As mães e uma das esposas dos cinco puderam estar presentes no julgamento. 29 dezembro 2001. Em sessão de solenidade, a Assembléia Nacional do Poder Popular declara os cinco "Heróis da República de Cuba" 29 janeiro 2002. São levados a penitenciárias bem distantes umas das outras. Durante o translado não têm contato com as famílias. No mes de fevereiro, são instalados definitivamente em diferentes casas de detenção. Abril 2002. Primeiras visitas de familiares aos cinco companheiros presos. 25 julho 2002. Após ter recebido visto para visitar seu marido Gerardo, Adriana Pérez é detida em Houston, acusada de ter entrado ilegalmente em território dos Estados Unidos e expulsa. 16 outubro 2002. Lançado em Cuba o CD "Regresaré" com poemas musicados de Antonio Guerrero. 12 novembro 2002. O advogado norte-americano Leonard Weinglass solicita novo julgamento fora de Miami e apresenta nova moção para desclassificar as supostas provas das acusações de espionagem. 30 dezembro 2002. O livro "El amor y El Humor Todo lo Pueden" com caricaturas de Gerardo Hernández é lançado em Cuba. Janeiro 2003. Fixa-se para sete de abril a apresentação dos documentos de apelação perante a Corte de Atlanta. Há uma segunda série de visitas dos familiares. Os Estados Unidos negam vistos às esposas de Gerardo e René. 10
fevereiro 2003. A juíza Lenard rechaça pedido do advogado
Weinglass e a desclassificação das supostas provas. 28 fevereiro 2003. Gerardo Hernández foi tirado de seu trabalho na prisão de Lompoc, Califórnia, e levado para uma cela de castigado especial conhecida como "caixa", totalmente isolado e incomunicável. Não lhe explicaram os motivos. 3 março 2003. Fernando González foi levado a uma cela de castigo na prisão de Oxford, Wisconsin por ordem do Departamento de Justiça dos EUA. Não tem direito de receber visitas nem manter contatos telefônicos. 3 março 2003. Antonio Guerrero foi tirado da sala de aula onde leciona, na prisão de Florence, Colorado, algemado e enviado à cela de castigo sem direito a usar telefone, receber ou mandar correspondência, lhe negaram contato com outros presos. 4 março 2003. Funcionários do Escritório Consular de Cuba em Washington se comunicaram com a prisão de Lompoc. Disseram-lhes que Gerardo Hérnandez estava na cela de castigo, incomunicável, e não podiam informar a causa. 4 março 2003. O Escritório Consular de Cuba em Washington se comunicou com a prisão de Oxford e foi informado de que Fernando González mantinha seu regime normal e a visita consular de 10 de março estava autorizada. 4 março 2003. O Escritório Consular de Cuba em Washington tentou, em vão, se comunicar com as prisões de Florence e Beaumont para saber de Antonio Guerrero e Ramón Labañino. 5 março 2003. Após renovados pedidos do Escritório Consular de Cuba em Washington, um funcionário da Seção de Assuntos Cubanos do Departamento de Estado confirmou que os cinco tinham sido levados para celas de castigo, mas não explicou os motivos. 5 março 2003. O Escritório Consular de Cuba em Washington confirmou com as autoridades da prisão de Oxford que Fernando González tinha sido transferido para a cela de castigo mas continuava confirmada a visita consular do dia 10 de março. 5 março 2003. O advogado de Fernando González tentou verificar a situação de confinamento de seu cliente e marcar uma ligação telefônica para discutir sua situação e aspectos da apelação. O Bureau de Prisões recusou-se a responder as perguntas relativas à situação de Fernando, mas concordou com o telefonema no dia 7 de março. 6 março 2003. As autoridades da prisão de Edgefield, onde está René González, disseram ter recebido documento com indicações da Procuradora Assistente Caroline Heck Miller, que orientava medidas administrativas especiais: limitar o acesso e a visita dos advogados de defesa e as visitas consulares. Informaram que as mesmas deveriam ser solicitadas à mencionada Procuradoria e ao escritório do FBI na Carolina do Sul. 6 março 2003. As autoridades da prisão de Oxford, Wisconsin, comunicaram que a visita consular a Fernando González, no dia 10 de março, estava cancelada. 6 março 2003. A prisão de Lompoc informou ao advogado Rafael Anglada que não podia realizar a visita legal, prevista desde o dia 2 de março, a Gerardo Hernández. Todas as visitas precisam da autorização da Procuradora Assistente Heck Miller e do FBI, anunciaram as autoridades da penitenciária. 6 março 2003. O Departamento de Estado comunicou que o Bureau de Prisões aplicaria novo procedimento para as visitas consulares. As solicitações deveriam ser encaminhadas por escrito 14 dias antes da data prevista. Afirmaram que não sabiam até quando os cinco permaneceriam em celas de castigo, nem como se comunicariam eles com seus familiares. 7 março 2003. As autoridades da prisão de Florence entraram em contato com o advogado Weinglass e rechaçaram seu pedido por escrito para que Antonio Guerrero se comunicasse com ele por telefone. 7 março 2003. Steve Robinson, oficial de caso de Fernando González na prisão de Oxford informou ao advogado de Fernando que a ligação telefônica estava cancelada e não se permitiria nenhum contato sem a aprovação da Procuradora Assistente Caroline Heck Miller. 7 março 2003. Foi cancelada sem nenhuma explicação a visita autorizada do reverendo Geoff Bottoms a Ramón Labañino. O religioso tinha viajado a Beautmont, Texas, de Blackpool, Grã-Bretanha. 7 março 2003. Uma visita programada da cidadã norte-americana Alícia Jrapko a Gerardo Hernández foi cancelada pelas autoridades da prisão de Lompoc. 7 março 2003. O advogado Francisco Martinez, associado com a defesa de Antonio Guerrero, solicitou visita legal para 10 de março à prisão de Florence. A resposta foi: não há visitas legais para o sr. Guerrero. 7 março 2003. O advogado Weinglass renovou sua solicitação à prisão de Lompoc para uma visita legal a Gerardo Hernández, prevista para o dia 16 de março. Um funcionário de Lompoc disse que só podia ver Gerardo com a aprovação da Procuradora Assistente Caroline Heck Miller. 7 março 2003. Paul Mckenna, advogado de Gerardo Hernández, recebeu a mesma resposta a seu pedido de visita legal ao cliente. 7 março 2003. O advogado de Fernando González tentou, em vão, discutir com a Procuradora Miller a situação de seu cliente e solicitar visita legal. 7 março 2003. Leonard Weinglass, advogado de Antonio Guerrero, tentou, sem resultados, comunicar-se com Miller para obter explicação sobre as condições de seu cliente. 7 março 2003. Miller, quase de madrugada, comunicou ao advogado Weinglass que lhe informaria sobre a situação de seu cliente no dia 10 ou 11 de março. O advogado Mckenna, que defende Gerardo Hernández, recebeu a mesma resposta. 8 março 2003. Uma visita consular marcada para Gerardo Hernández foi cancelada pelo Bureau de Prisões. 8 março 2003. O advogado Weinglass manda um fax à prisão de Florence, Colorado, informando a necessidade de se reunir com seu defendido, Antonio Guerrero. Não recebeu resposta. Anteriormente tinha mandado dois, e ambos foram rechaçados. 10 março 2003. Depois de muitas solicitações, o governo finalmente comunicou aos advogados de defesa que a atual proibição de acesso aos acusados teve lugar dentro das Medidas Administrativas Especiais, e mais nada. 10 março 2003. A prisão de Lompoc informou que as visitas consulares a Gerardo Hernández, aprovadas, teriam de acontecer nos dias da semana em que não houvesse visitas familiares e na presença de dois guardas. 11 março 2003. A Procuradora Assistente dos EUA, Caroline Heck Miller, explica, finalmente, que o governo tinha decidido aplicar as Medidas Administrativas Especiais para prevenir o vazamento de informação classificada. 11 março 2003. As autoridades da prisão de Lompoc informaram ao Escritório Consular de Cuba em Washington que na visita a Gerardo Hernández, no dia 26 de março, só podia estar presente um funcionário consular e deviam conversar em inglês. Mesmo assim, a visita foi cancelada. Igualmente foram canceladas as visitas para Fernando, Antônio, Ramón e René. 12 março 2003. As autoridades da prisão de Oxford informaram que era necessário mudar a data da visita consular a Fernando González para o dia 31 de março. Mesmo assim, foi cancelada como as outras solicitadas para ver Gerardo, Antonio, Ramón e René. 14 março 2003. O advogado Leonard Weinglass recebeu carta da Procuradora Assistente Caroline Heck Miller, na que esta informa que o Procurador Geral dos Estados Unidos autorizou as Medidas Administrativas Especiais a 24 de fevereiro de 2003 e as mesmas estarão em vigor durante um ano, ou mais. 16 março 2003. Após múltiplas diligências, Weinglass obtém autorização para visita Gerardo Hernández. Durante a visita, Weinglass soube que Gerardo se encontrava na "Caixa", um buraco pior do que a cela de castigo. Ali estava desde 28 de fevereiro, sem nenhum contato com pessoas, não podia usar o telefone, não tinha acesso à correspondência, nem a seus advogados. 17 março 2003. Após numerosas diligências para se comunicar com seu cliente, o advogado Joaquin Méndez pôde falar por telefone com Fernando González e foi informado de que seu defendido não tinha recebido os documentos legais que lhe enviara. 17 março 2003. As autoridades da prisão de Florence, Colorado, avisaram ao advogado de Antonio Guerrero, Leonardo Weinglass, que a visita marcada para o dia 18 de março aconteceria sob severas restrições, sem contato físico, através de uma vidraça e sem poder revisar diretamente com Antonio os documentos legais da apelação. 18 março 2003. Após permanecer 15 dias na cela de castigo e à véspera da visita de seu advogado, as autoridades de Florence, Colorado, informaram a Antonio Guerrero que ficaria nessa cela até 24 de fevereiro do 2004, ou um ano mais. 19 março 2003. Weinglass visita Antonio Guerrero. O encontro decorre em condições deploráveis. Antonio chegou algemado e com os pés acorrentados, só podia falar através de uma vidraça grossa, por telefone. Não havia nem sequer uma fenda para passar os documentos. Weinglass teve de recorrer aos guardas para que estes entregassem os documentos a seu cliente. Era tão complicado, que o advogado preferiu mostrá-los através da vidraça. Segundo Weinglass, as condições da visita eram muito piores do que as que experimentou com Múmia no corredor da morte. |
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