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Resumo Estados Unidos 2016

Em 2016, os Estados Unidos surpreenderam o mundo ao eleger para presidente, contra todos os prognósticos, o polêmico candidato republicano Donald Trump, um multimilionário sem experiência política e com uma posição abertamente xenófoba e protecionista.

Ingredientes para todos os gostos, incluídos os insultos, teve a campanha eleitoral, a mais cara e imprevisível na história do país. Só na contenda presidencial, desde que tinham começado as primárias, o custo montou em 2,551 bi de dólares. Já nas legislativas se investiram outros 4,266 bi.

No caminho ficaram, pelos republicanos, candidatos como Ted Cruz, Marco Rubio e Jeb Bush, um dos favoritos do partido. Ao não contar com uma figura alternativa a Trump, que foi primeiro nas intenções de voto e ganhou as primárias, este conseguiu ser declarado na Convenção Nacional Republicana candidato do partido, apesar de seus confrontos com influentes líderes desse grupo político e de não contar com o apoio da maquinaria partidária.

Finalmente, em oito de novembro, se enfrentaram Trump e seu oponente pelo partido Democrata Hillary Clinton, considerados por muitos como os dois candidatos presidenciais mais impopulares da história norte-americana.

Trump, embora tivesse perdido o voto popular, conseguiu 306 votos do Colégio Eleitoral e ganhou a presidência. Hillary, tida até esse momento pela grande maioria, incluídos os meios de comunicação, como a favorita para vencer os pleitos, ficou com apenas 232 votos.

A linguagem ofensiva e provocadora do magnata, que chegou a qualificar de criminosos e violadores os imigrantes mexicanos quando propôs erguer um grande muro na fronteira com o México, e ameaçou deportar os 11 milhões de indocumentados, não pesou tanto entre o eleitorado quanto suas promessas populistas de recuperar a grandeza de América, e proteger o país da fuga de empregos que vem ocorrendo através dos tratados comerciais.

Donald Trump ganhou em estados chave como Carolina do Norte, Ohio, Georgia, Michigan, Arizona e Pensilvânia, o que lhe permitiu destroçar os prognósticos. Embora tivesse vencido, também, na Flórida, teve o pior resultado dos candidatos republicanos nos últimos anos entre o eleitorado de origem cubana.

Em sua vitória foram determinantes os votos da comunidade evangélica e das zonas rurais do território norte-americano. Obteve 81 por cento do apoio dessa importante comunidade cristã, contra os 16 por cento reunidos por Clinton.

Setenta por cento dos eleitores de oito de novembro eram brancos. Deles, 58 por cento apostou no candidato republicano.

Nem seus polêmicos comentários contra as mulheres, nem as denúncias de acosso de muitas delas, conseguiram que Clinton obtivesse o voto desse segmento. Só 49 por cento das mulheres votaram na candidata democrata. Seu rival, em troca, obteve os votos de 47 por cento das eleitoras.

Hillary Clinton também não pôde conseguir o apoio de setores que foram chave nas vitórias de 2008 e 2012 do atual mandatário Barack Obama: latino-americanos, afro-americanos e asiáticos.

Durante a campanha eleitoral ficou demonstrado que não conseguiu conquistar a simpatia da juventude e da classe trabalhadora, que deram seu apoio a Bernie Sander, seu rival pela candidatura democrata.

Sander, que acusou o establishment do país de deixar que um punhado de ricos controlasse as vidas e a política de toda a nação foi qualificado como o terceiro protagonista do longo processo eleitoral.

De resto, Hillary foi questionada o tempo todo por seu desempenho como Secretária de Estado durante os acontecimentos na Líbia e o uso de uma conta pessoal de correio eletrônico para tramitar assuntos oficiais. O escândalo ressuscitou faltando onze dias para as eleições. Depois de o FBI ter decidido fechar o caso em meados do ano, no final de outubro revelou que tinha achado novos correios eletrônicos da candidata democrata que mereciam ser investigados e que poderiam provocar a reabertura do caso contra ela.

Em oito de novembro também se elegeu um terço das 100 cadeiras do Senado e toda a Câmara de Representantes. Os republicanos mantiveram o controle do órgão legislativo.

O partido democrata recebeu um golpe demolidor nas eleições de 2016. No plano doméstico, Barack Obama deixará a Casa Branca sem ter conseguido a reforma migratória que beneficiaria os 11 milhões de ilegais que vivem no país e que agora se veem ameaçados pelo presidente eleito.

Uma das grandes frustrações de Obama é não ter conseguido um controle mais estrito e efetivo das armas de fogo. Em 2016, continuaram ocorrendo incidentes sangrentos de todos os tipos.

A situação é preocupante, porquanto o presidente eleito Donald Trump, contou com o apoio da Associação Nacional do Rifle, e defende a vigência da Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que concede o direito à posse de armas de fogo.

Obama, como primeiro presidente negro na história dos EUA, também não conseguiu refrear a discriminação contra as minorias e, principalmente, a violência policial contra os afro-americanos e os latino-americanos.

Fracassou, também, no seu intuito de fechar a ilegal prisão da Base Naval de Guantánamo, situado em território que os Estados Unidos usurpam no leste cubano. O pedido de Obama não foi bem-visto no Congresso, que se recusou a transferir ao continente os réus que ainda permanecem nesse lugar, um símbolo dos excessos cometidos por esse país em sua presumível luta contra o terrorismo.

Durante seus dois mandatos mudou pouco a ingerência dos Estados Unidos nos países da América Latina e o Caribe. Os ataques contra a Venezuela e outras nações progressistas continuaram. Em 2016, Obama renovou o decreto que declara Caracas uma ameaça para a segurança nacional.

Obama, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2009, deixa no âmbito internacional oito anos de guerra. Com tropas no Iraque e no Afeganistão e um grande fiasco na Síria em seu criticado enfrentamento ao grupo terrorista Estado Islâmico, sem levar em conta o governo legítimo do presidente Bashar al Assad.

Talvez o que mais chamou a atenção foi o acordo nuclear com o Irã e a aproximação de Cuba, mas vale clarificar que, embora tenha tomado certas medidas, que Havana considera positivas, Obama não fez uso pleno de suas prerrogativas para desmantelar o injusto bloqueio econômico, comercial e financeiro que castiga o povo cubano há mais de 50 anos e que se manteve com especial força em 2016.

O ano 2016 termina em meio a uma atmosfera de incertezas e muitas perguntas no ar nos Estados Unidos. Os norte-americanos estão preocupados com a eleição de Donald Trump, que assumirá a presidência em 20 de janeiro e que vem formando seu gabinete com militares e milionários. Além disso, ameaçou cancelar o programa de saúde de Obama que, embora imperfeito, salvou 46 milhões de norte-americanos do abandono, e os regulamentos ambientalistas adotados pelo atual governo num dos países que mais poluem o meio ambiente, hoje em dia.

Editado por Martha C. Moya
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