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As relações Cuba e Estados Unidos em 2016

A dois anos de os governos de Cuba e Estados Unidos terem anunciado o reatamento de suas relações diplomáticas e avançado rumo à normalização dos vínculos, a incerteza paira sobre o empenho.

O segundo aniversário do anúncio foi ensombrecido em 17 de dezembro passado pelas declarações públicas sobre Cuba, feitas pelo novo governo, conservador e imprevisível, que vai assumir a direção dos Estados Unidos em 20 de janeiro.

As declarações do presidente eleito Donald Trump e seu vice Mike Pence de que reverteriam os avanços propulsados pelo governo de Barack Obama, somados à composição da nova equipe de trabalho de Trump, parecem relegar a um segundo plano as desavenças entre os dois governos que, por elas mesmas, densavam o incipiente avanço bilateral.

Estamos falando, entre outros esquemas, nas tentativas não dissimuladas dos Estados Unidos de subverter o sistema político e social em Cuba, quer seja pela via da cultura, quer seja seduzindo os jovens cubanos, ou atiçando os cubanos a esquecer sua história.

Não obstante, no plano bilateral Cuba-EUA, o ano de 2016 foi testemunha de significativos acontecimentos.

Em 16 de fevereiro, o ministro cubano de Transporte, Adel Yzquierdo, e o secretário de Transporte dos EUA, Anthony R. Foxx, assinavam em Havana um memorando de entendimento para o restabelecimento de voos regulares diretos entre Cuba e EUA, ausentes por mais de meio século. Em 31 de agosto, pousava na cidade de Santa Clara, na porção central do país, o primeiro voo comercial proveniente dos Estados Unidos. Era o voo 387, da linha aérea norte-americana JetBlue, que abria uma nova era no transporte entre os dois países. O secretário Anthony Foxx foi o primeiro passageiro que desceu do avião. Estes voos ligam, hoje em dia, várias cidades norte-americanas a diferentes cidades cubanas, entre elas Havana, que vem recebendo desde 3 de dezembro voos comerciais diretos dos Estados Unidos.

Em fevereiro de 2016, o ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca, visitou os Estados Unidos para conversar com os norte-americanos sobre regulamentos, com a expectativa de limpar o caminho para sustentar possíveis relações comerciais dentro do contexto do bloqueio em vigor contra Cuba. Neste sentido, foi importante a votação na ONU no último 26 de outubro sobre a necessidade de os Estados Unidos cessarem seu bloqueio a Cuba. Pela primeira vez, em 25 anos de vitórias cubanas nas votações, a delegação norte-americana se absteve.

Em 18 de fevereiro, a diretora-geral de Estados Unidos na Chancelaria cubana, Josefina Vidal, confirmava que o presidente Barack Obama visitaria Cuba no final do mês de março. O presidente Obama viaja a Havana com sua família e aqui permanecem de 20 a 22 desse mês. Foi o primeiro presidente dos Estados Unidos que visitava a Ilha desde 1928. Barack Obama manteve conversações com o presidente Raúl Castro e, em 22 de março, no Grande Teatro de Havana Alícia Alonso, pronunciou um discurso endereçado à sociedade civil cubana. Naquele dia, antes de partir, presencia acompanhado de Raúl Castro um jogo de beisebol entre a equipe Cuba e a de Tampa Bay Rays dos Estados Unidos. Em 28 de março, a imprensa cubana publica uma reflexão do líder histórico da Revolução, Fidel Castro, que refuta várias das ideias do mandatário norte-americano manifestadas em seu discurso no Grande Teatro de Havana. Cuba não esquece a história, clarifica Fidel.

Em dois de maio de 2016 aportava em Havana, procedente dos Estados Unidos, o cruzeiro Adonia da empresa Carnival Corp, o primeiro em mais de cinquenta anos. Em 13 de maio, o Departamento de Segurança da Pátria dos Estados Unidos e o Ministério do Interior de Cuba assinavam memorando de entendimento para melhorar a segurança nas viagens e no comércio.

Em junho, o ministro cubano da Saúde, Roberto Morales, viaja a Washington para assinar um acordo entre o Ministério da Saúde Pública e o Departamento da Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, que estabelece uma estratégia para a cooperação bilateral na área de saúde.

Em 28 de junho, o até então hotel Quinta Avenida, do grupo empresarial Gaviota, se converte no hotel “Four Poinst by Sheraton”, sendo o primeiro estabelecimento turístico gerenciado por uma empresa norte-americana em Cuba, em mais de 50 anos.

Em 12 de setembro, funcionários de Cuba e dos Estados Unidos realizam, em Washington, a primeira reunião do Diálogo Econômico Bilateral, mecanismo criado ao espírito da Comissão Cuba-EUA, para discutir assuntos econômicos, comerciais e financeiros de interesse mútuo, incluídos os que poderiam surgir depois da cessação do bloqueio.

Em 23 de setembro, organizações políticas, de massas e estudantis em Cuba, denunciam o caráter ilegal e subversivo de um programa de bolsas de estudo para adolescentes e jovens cubanos, auspiciado pela organização World Learning e financiado pela agência federal norte-americana USAID. Alguns dias mais tarde, em 28 de setembro, o site Along the Malecón, do jornalista Tracey Eaton, divulga relação das organizações que receberam quatro milhões de dólares para financiar programas de mudança de regime em Cuba, através da organização governamental norte-americana National Endowment for Democracy, a nefasta NED.

Assim, Cuba, que vinha travando sua batalha ideológica contra estes antigos demônios da subversão, deparava a inesperada aparição de um novo monstro.

Cuba ignora o que virá com a chegada ao poder do magnata Donald Trump nos Estados Unidos e o que significam suas declarações públicas a respeito da Ilha, porém não está alarmada, convém realçar. Afinal de contas, a direção política cubana sabe como lidar com a guerra fria, e a nação parece ter aprendido a técnica da sobrevivência, embora, naturalmente, não deseje a volta aos tempos de crise dos anos 1990, após o desaparecimento do campo socialista e a desagregação da União Soviética.

As relações internacionais de Cuba, tanto econômicas quanto políticas, se diversificaram muito nos últimos anos. Quem viveu em Havana em 2016, certamente pôde constatar uma atividade inusitada de visitas de chefes de Estado e Governo a Cuba, incluídos os das principais nações da Europa, cuja comunidade de Estados – União Europeia – decidiu em dias recentes abolir a denominada Posição Comum contra Cuba, abrindo novas possibilidades de interação e para o melhor desempenho econômico e geral de Cuba.

Ao mesmo tempo, em Cuba existem as condições necessárias para uma decolagem econômica bem-sucedida, a partir do investimento feito na área de educação e a formação de um capital humano altamente qualificado em quase todos os setores e ramos, que deverá se ativar ante os novos desafios.

Editado por Martha C. Moya
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