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Temores e incertezas na Argentina

Setenta por cento dos habitantes da capital federal da Argentina e seus arredores consideram que sua situação econômica piorou desde o governo presidido por Maurício Macri e temem que, no futuro, as coisas acabem sendo mais difíceis, revelou o estudo denominado Monitor do Clima Social.

Para além do sentimento subjetivo de insegurança, a pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Metropolitanos, indica que mais de um terço dos habitantes desta área afirmou que, em 2016, tiveram de diminuir a quantidade e a qualidade de seus alimentos e 20% assinalam que alguém de sua família passou fome em algum momento por falta de dinheiro para comprar comida.

O diretor do Centro Matías Barroetaveña disse que o monitoramento mede, principalmente, percepções, mesmo assim se percebe a defasagem entre as expectativas que Macri criou, sobretudo com o lema de um governo para mudar a Argentina, e a realidade vivida no ano passado.

Ao menos 45% dos entrevistados asseguram que suas rendas são insuficientes e isso lhes causa problemas. Esta sensação é mais aguda no chamado segundo cinturão da Grande Buenos Aires, explicou o especialista.

A população teme perder seu emprego nos próximos meses, o que pioraria, e muito, a situação pessoal e de toda a família, principalmente das crianças e idosos.

O monitoramento, que será sistemático, revelou que, em termos gerais, as incertezas são maiores entre as mulheres, a juventude e, especialmente, entre os que não têm estudos de nível médio ou universitário.

Macri, ao assumir o poder, começou a realizar ajustes de corte neoliberal que implicaram a dispensa de dezenas de milhares de trabalhadores no setor público, sob o pretexto de que os gastos do Estado são muito elevados e havia o fenômeno de sobre emprego. Esta prática também se estendeu rapidamente à empresa privada.

Ademais, ao ser eliminado o controle oficial da paridade da moeda nacional com relação ao dólar norte-americano, cresceu rapidamente a inflação, propulsada pela subida das tarifas de serviços públicos indispensáveis. Estamos falando concretamente na eletricidade, gás, transporte, e gasolina.

Entrementes, se eliminaram ou baixaram notavelmente os impostos sobre os principais produtos de exportação, o que favoreceu as grandes empresas, entre elas a pecuária e os produtos de soja.

As organizações sindicais e sociais são perseguidas, um dos mais claros exemplos é o da combatente pelos direitos indígenas, Milagro Sala, que leva um ano na cadeia.

Em geral, Macri está concitando um forte descontentamento popular, que se continuar assim passará do desconcerto e a incerteza à defesa mais ativa dos direitos sociais, econômicos e humanos, num país com grande tradição de luta que já provocou a queda da mais de um governo.

Editado por Martha C. Moya
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