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Novo governo no país mais pobre do hemisfério

Jovenel Moise, 48 anos, tomou posse no Haiti como novo presidente. Tem pela frente o desafio de reduzir as fraturas políticas derivadas de um processo eleitoral acidentado e tentar colocar a nação no caminho do desenvolvimento para superar a pobreza extraordinária, as desigualdades e as carências.

O primeiro país independente deste continente, o berço da única revolução de escravos vitoriosa na história, concentra, hoje em dia, calamidades políticas, econômicas, sociais e naturais.

Uma dívida imposta pela ex-metrópole (França) em troca de reconhecer sua liberdade, a que se somam numerosas intervenções estrangeiras, das que EUA tem sido habitual protagonista, décadas de tirania sob a mão corrupta da dinastia Duvalier, constituem a raiz dos enormes males que flagelam essa sociedade, onde a institucionalidade é frágil e muitas vezes não existe.

Como se não bastasse, Haiti é o lugar mais exposto à fúria dos furacões e outros eventos da natureza no continente americano. De 1980 a 2016 nomes de furacões como Allen, Gilbert, Gordon, Gustav, Ike, Sandy e Matthew, ficaram impressos na geografia da pequena nação com saldo enorme de mortes e destruição.

Em 2010, violento terremoto deixou perto de 300 mil mortos e suas marcas continuam sendo visíveis em Porto Príncipe, a capital, e noutras cidades. Ao menos 50 mil pessoas estão amontoadas em tendas de campanha, vivendo em péssimas condições.

Se a fúria da natureza e dos exploradores não fosse suficiente, uma epidemia de cólera castigou a população carente de serviços sanitários eficazes; só a presença solidária de Cuba atenua a situação, cujos médicos já estavam lá antes do terremoto.

Jovenel Moise encontra um país de 10 milhões de pessoas, onde 60 por cento vivem debaixo da linha de pobreza e um quarto na extrema pobreza. Setenta por cento da população economicamente ativa não têm emprego formal, o que provoca êxodo em massa a outros lugares, e a inflação é de 12 por cento.

Dez por cento dos habitantes ficam com 70 por cento das receitas do país, o que abre um fosso enorme entre os mais ricos e os mais pobres.

De acordo com a Comissão Econômica da ONU para América Latina e o Caribe, em 2017 o crescimento do Produto Interno Bruto será de um por cento, o que significa retrocesso se levarmos em conta que em 2014 este indicador era de 2,7 por cento e um ano depois alcançou os 2 por cento.

O presidente número 58 do país não poderá enfrentar sozinho esta situação, nem com a máxima boa vontade. Uma crise profunda e histórica como a haitiana precisa de ajuda internacional, mas até agora, salvo poucas exceções, a comunidade mundial tem sido avara neste sentido.

Há uma dívida da Humanidade com esta nação e, principalmente, dos que de uma maneira ou outra, por ação ou omissão, são responsáveis por ter se chegado a estes extremos.

 

 

Editado por Martha C. Moya
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