África do Sul se prepara para enfrentar a sede

Por Guillermo Alvarado

Cúpulas vão e vêm, e se fecham acordos que se desfazem com argumentos infantis. A realidade da mudança climática, porém, vai atingir em breve a Cidade do Cabo, situada no extremo sul da África do Sul. As autoridades locais estão se preparando para o dia em que não sairá água pelas torneiras e seus quase quatro milhões de habitantes terão de enfrentar a sede.

Provavelmente isto acontecerá a partir de 20 de abril ou de 11 de maio, seja qual for a data, em qualquer momento uma cidade moderna ficará sem água e seus moradores deverão procurar sobreviver com 25 litros do vital líquido ao dia.

É verdade que há razões administrativas para explicar este desastre, entre elas o fato de a população ter dobrado nos últimos 30 anos e a urbanização crescido demais, sem que tivessem investido o necessário para garantir os serviços indispensáveis, como o fornecimento de água, por exemplo.

Não obstante, a mudança climática é a causa principal, isto porque essa região da África do Sul vive a mais intensa estiagem nunca antes vista. Em 2017, as precipitações na Cidade do Cabo mal acumularam 153,5 milímetros.

Além da densidade populacional, a cidade recebe todos os anos perto de cinco milhões de visitantes, que não estão cientes das medidas que o governo vêm tomando há alguns meses, como limitar o consumo de água por pessoa a 40 litros diários, com severas multas para quem não cumprir a disposição.

Hoje em dia, as barragens estão debaixo de seus níveis mínimos e a maior delas – Theewaterskloof – tem capacidade de armazenamento de 480 milhões de metros cúbicos, mas apenas contém 12,5 por cento, portanto, está a ponto de parar de fornecer. Os especialistas afirmam que quando chegar aos 10 por cento, as máquinas não poderão continuar extraindo água.

Várias perguntas surgem ante esta situação terrível, a primeira é como se chegou a este ponto? A resposta é bem simples: falta de previsão.

Todo o mundo sabe, queira aceitar ou não publicamente, que o clima já está mudando e que as condições de vida no planeta são cada vez mais difíceis, mas muita gente continua vivendo como se nada disso fosse acontecer.

A outra pergunta: O que vai ocorrer no dia D, quando não sair água das torneiras e cada habitante for obrigado a ir a um dos 180 pontos de distribuição para apanhar seus 25 litros? A prática dará a resposta, mas desde já se esperam comportamentos preocupantes. Um deles é que as pessoas, aos milhões, vão se largar para outros lugares. O outro é o fim do turismo, uma das principais atividades econômicas que gera ao redor de 300 mil empregos.

Milhares de palestinos convivem com a falta de água na cidade de Gaza e outros em bases de refugiados em diferentes lugares do mundo, mas será a primeira vez numa grande cidade. Uma lição que deverá nos servir para alguma coisa.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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