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A paz perdeu o rumo na Colômbia

Por: María Josefina Arce

A paz perdeu o rumo na Colômbia, onde a sociedade continua se dessangrando por causa da violência e a falta de disposição política para garantir o bom andamento do processo, necessário para todos os cidadãos.

Não foram fáceis as conversações entre o governo do então presidente Juan Manuel Santos e a outrora guerrilha das FARC – Forças Armadas Revolucionárias, que levaram ao fim do conflito armado que durou décadas. Porém, o esforço de anos está se esfumando. A realidade é que pouco se avançou desde novembro de 2016, quando se firmou o que foi considerado histórico acordo de paz.

O anúncio da abertura de uma nova etapa ficou só nisso: anúncio. Os ex-guerrilheiros cumpriram as condições acertadas, entre elas deixar as armas para se inserir na sociedade civil e trabalhar em favor da paz nessa nação, mas as autoridades não tiveram a mesma disposição e não colocam freio ao assassinato de ex-combatentes.

Com a morte do ex-comandante Wilson Saavedra somam 130 os ex-membros das FARC baleados desde a assinatura dos acordos. Muitas vozes se ergueram para condenar a situação e exigir do governo do atual presidente Ivan Duque garantir o respeito à vida.

Em recente coletiva de imprensa, Rodrigo Londoño, máximo líder do hoje partido Força Alternativa Revolucionária do Comum, reiterou o pedido para se reunir com o presidente Duque para abordar o assunto das garantias aos ex-guerrilheiros e sua reincorporação à sociedade.

O chefe de Estado colombiano chegou ao poder em agosto do ano passado, e desde então nega-se a conversar com os ex-rebeldes. A FARC considera que o assassinato sistemático é resultado de uma campanha de estigmatização e de ódio contra o atual partido político, promovida pela extrema-direita colombiana.

A paz real e duradoura ainda está longe de aparecer. A morte violenta de ex-combatentes se soma à de líderes comunitários e coloca em dúvida um dos principais objetivos dos acordos: garantir a segurança e tranquilidade dos cidadãos.

As zonas rurais onde operava a organização insurgente estão à espera dos projetos sociais que deveriam contribuir ao desenvolvimento econômico e social local. As estradas, escolas e eletricidade ainda não chegaram. Pelo contrário, muitos dos habitantes desses lugares tiveram de abandoná-los por causa da violência dos grupos paramilitares que operam lá. Estima-se que uma 210 mil pessoas estão nessa situação.

A Colômbia precisa de paz. Isso ninguém duvida. Porém, a paz não pode ser construída sobre a base de promessas sem cumprir. Exige esforço não só de uma das partes, e sim de todos os segmentos da sociedade.

Com certeza, o caminho é difícil, mas se foi possível aproximar-se, chegar a consensos e assinar um acordo de paz, também seria possível avançar em sua implementação porque o povo colombiano quer e merece a paz.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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