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Povos indígenas: salvaguardar legado para a humanidade

Por: M.J. Arce

Pobreza, analfabetismo e exclusão social são alguns dos problemas que se associam aos povos indígenas que, como resultado da marginalização da qual são alvo, veem desaparecer suas línguas nativas. Essa situação afeta sua identidade e a memória coletiva, além de significar a perda de importantes conhecimentos.

Organismos internacionais advertem que hoje apenas 3% da população mundial usa no dia a dia 96% das quase 6.700 línguas originárias existentes no planeta. Na América Latina, um quinto dos povos indígenas perderam seu idioma natal, e com isso sumiu uma boa parte da herança cultural da região.

A ONU – Organização das Nações Unidas considera que 40% dos idiomas ancestrais poderiam desaparecer para sempre nos próximos anos se persistir a tendência atual. A situação em algumas áreas do Caribe é tida como irreversível.

Este problema, que tem a ver com todas as pessoas, foi um dos temas centrais da 19ª Cúpula da Comunidade Andina, realizada no Peru. Na declaração final, o bloco regional manifestou que está disposto a contribuir para preservar as 183 línguas indígenas faladas nos territórios dos países membros. Muitas delas correm risco de extinção, o mesmo que ocorre com as culturas as quais pertencem.

“Assumimos o compromisso de trabalhar junto com os povos indígenas na Comunidade Andina para implementar medidas para a preservação, transmissão e desenvolvimento das línguas aborígines na vida comunitária e na sociedade em seu conjunto”, sublinha o documento assinado pelos representantes da Bolívia, Equador, Colômbia e Peru.

A iniciativa será impulsionada pela Bolívia, que acaba de assumir a presidência pro tempore do organismo. A nação mostra avanços nessa área, ao aplicar medidas para reivindicar o status dessas línguas e reativar seu uso nos espaços sociais, educativos e de comunicação.

A nova Constituição boliviana, adotada em 2009 após referendo popular, reconhece 36 nacionalidades e o mesmo número de línguas indígenas originárias. Para essas comunidades, garante igualdade de direitos e respeito à tradições, costumes e autonomia.

As autoridades bolivianas promovem iniciativas no exterior para promover essas reivindicações, participando de feiras do livro e divulgando obras escritas nessas línguas. Aliás, em junho, o país será sede da 1ª Reunião de Colaboração Sul – Sul para a criação do Instituto Ibero-americano de Línguas Indígenas.

Salvaguardar os idiomas originários é um imperativo em épocas de globalização, porque significa proteger a identidade, história e cultura. A ONU reconhece que representam sistemas complexos de conhecimentos e comunicação, e devem ser reconhecidos como recurso nacional estratégico para o desenvolvimento, a consolidação da paz e a reconciliação.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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