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Argentina: Macri foi para o fundo

M.J. Arce

A diretora executiva do FMI – Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, deu o que parece ser o último golpe às ambições do presidente argentino, Maurício Macri, de se reeleger no posto. Ela admitiu que a crise econômica e financeira nesse país é muito mais grave do que se pensava.

Com franqueza inusual, Lagarde disse num foro internacional que “é uma situação econômica incrivelmente complicada”, e sublinhou que muitos subestimaram o que estava ocorrendo, inclusive o próprio FMI, quando começou a ser abordada com as autoridades argentinas a concepção de um programa nessa área.

É difícil de acreditar que os funcionários que estiveram lá para conhecer in loco o panorama local antes de traçar a estratégia a seguir não tenham visto os sintomas do desastre que estava prestes a eclodir. Os principais setores da economia estavam em queda, entre eles a construção civil e a indústria.

O índice de produção industrial manufatureira leva 14 meses deprimido, e nos primeiros quatro meses deste ano baixou 10,6% a respeito do mesmo período de 2018. Ao congelar-se a produção, o mesmo aconteceu com os investimentos. A fuga de capitais é notória, com efeitos negativos no mercado de trabalho.

Enquetes apontam que 93% dos empresários acredita que no que resta deste ano o volume de mão de obra deve diminuir, ou seja, crescerá o desemprego.

A diretora executiva do FMI colocou o dedo numa das feridas que mais incomoda o governo argentino: a inflação. “Ao invés de se estabilizar e diminuir gradativamente, como tínhamos prognosticado, está mostrando muito mais resistência do que pensávamos”, indicou.

Hoje, a Argentina é a oitava entre as dez piores economias do mundo. Essa posição mostra as fraquezas do sistema neoliberal para resolver seus próprios problemas.

Lagarde não se referiu ao oneroso empréstimo de 56 bilhões de dólares feito ao governo do presidente Macri. A entrega por partes depende de rígidas vistorias das contas públicas e da aplicação de medidas de ajuste que têm forte impacto na qualidade de vida da população.

Explicou que na Argentina existem “desenvolvimentos políticos sobre os quais não temos controle e que serão decisão das pessoas”, referindo-se às eleições presidenciais de outubro deste ano.

Na obscura linguagem desse tipo de funcionário, isso significa que nem sequer ela está convencida da reeleição de Macri. Isso significa mais um golpe às aspirações do atual chefe de Estado, que prometeu mudanças e levou o país ao fundo, com a ajuda do Fundo Monetário Internacional.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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