Paraíso perdido

G. Alvarado

É frequente escutar que a infância é uma espécie de paraíso que vai se perdendo ao longo dos anos até sumir totalmente na idade adulta, ficando apenas uma agradável lembrança, uma saudade que pode persistir até o fim da vida.

Porém, para 152 milhões de crianças de cinco a 17 anos nunca houve esse paraíso, segundo revela um recente informe da OIT – Organização Internacional do Trabalho, que este ano comemora seu centenário.

Desde sua fundação, uma das prioridades deste órgão foi tentar erradicar o trabalho infantil, considerado uma violação aos direitos humanos. Os menores nessa situação sofrem marcas indeléveis no seu desenvolvimento físico e intelectuais, às vezes de caráter grave.

São crianças que não têm tempo para desfrutar essa etapa de suas vidas porque se veem obrigadas a ganhar o próprio sustento ou a contribuir ao de suas famílias. Não poucas vezes caem em redes onde são exploradas ou têm de fazer tarefas de alto risco.

O trabalho infantil está muito relacionado com a pobreza em que estão mergulhadas seus parentes. Isso lhes impede ir à escola, ou acabam abandonando as aulas para trabalhar. Outras mesclam o ensino com atividades impróprias para sua idade e desenvolvimento físico.

O relatório da OIT aponta que sete de cada dez crianças que trabalham assumem tarefas ligadas à agricultura ou pesca. Outras são forçadas a labores perigosas, como as minas, onde são aproveitadas para entrar em lugares estreitos graças a seus corpos miúdos.

Uma das principais consequências do trabalho infantil é que geralmente esses menores não assistem à aulas, portanto, e a falta de instrução os condena a passarem a vida assumindo tarefas rudes e mal pagas. Ou seja, são condenadas a continuarem na pobreza.

A esperança é que um dia a comunidade internacional se empenhe em transformar em norma o que ocorre em apenas alguns países, onde as formas mais cruéis do trabalho infantil já foram erradicadas através de políticas públicas e da conscientização da sociedade. Nesse ponto, cabe recordar a frase do Herói Nacional cubano, José Martí, em torno de que as crianças nascem para serem felizes.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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