Colômbia: Ivan Duque em queda livre

M.J. Arce

O presidente da Colômbia, Ivan Duque, cumpre seu primeiro ano de mandato em meio ao rechaço cada vez maior da população à gestão do seu governo e ao pessimismo em torno do rumo assumido pela nação.

O resultado das últimas pesquisas de opinião mostra que 68% dos cidadãos não concorda com a situação atual e acredita que as autoridades não resolveram os principais problemas que atingem a sociedade, entre eles o desemprego e a corrupção.

Para 86%, o desemprego está se agravando. Hoje, esse índice é de 9,4%. No ano passado era de 9,1%. Aliás, em cidades como Quibdó e Valledupar a falta de emprego chegou a patamares críticos, com 20,3% e 16,2% respectivamente. Os jovens são os que mais sofrem a carência de oportunidades de trabalho. Na faixa etária de 18 a 28 anos o índice passou de 16,1% no trimestre abril – junho de 2018 a 17,2% no mesmo período deste ano.

A corrupção é outra das preocupações dos cidadãos na Colômbia, que não veem avanços no enfrentamento a esse antigo flagelo apesar de terem tido esperanças na gestão de Ivan Duque quando este assumiu o posto há um ano. Nem o exército escapa desse problema. Nas últimas semanas estão sendo investigados vários casos que têm a ver com o mal manejo de fundos e a venda de autorizações para portar armas.

Nessa situação, o último projeto de lei com medidas contra a corrupção, amparado no referendo popular de agosto de 2018, afundou no Congresso.

Os colombianos também sofrem com a falta de segurança. A assinatura do acordo de paz entre o governo e a guerrilha das FARC – Forças Armadas Revolucionárias em novembro de 2016 gerou fortes expectativas nesse aspecto. Porem, o atual mandatário pouco tem feito para consolidar a paz necessária.

O país é sacudido constantemente pelo assassinato de líderes sociais, defensores dos direitos humanos e do meio ambiente, e ex-guerrilheiros engajados no processo de reincorporação à sociedade. Muitos dos que deixaram as armas têm sido vítimas de atentados, e inclusive alguns de seus familiares.

Os frequentes assassinatos tornam evidente a falta de garantias para os que apostaram na paz e ainda acreditam que é possível alcançá-la. A violência gera dúvidas sobre o interesse do governo em levar adiante um acordo que na época foi qualificado de histórico porque teria colocado ponto final a mais de 50 anos de conflito armado.

O Instituto para o Desenvolvimento e a Paz indicou que de janeiro de 2016 a julho de 2019 foram mortos na Colômbia quase 740 líderes sociais e defensores dos direitos humanos.

As notícias não são boas. Muitos consideram que o governo de Ivan Duque está mais preocupado com a situação em nações vizinhas do que com seu próprio país.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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