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O contragolpe chinês

G. Alvarado

O presidente dos EUA, Donald Trump, parece ter acreditado que poderia assustar a China ameaçando-a com impor novas tarifas alfandegárias à importações de produtos desse país no montante de 300 bilhões de dólares. Porém, o resultado foi semelhante ao de um pontapé no vespeiro.

A resposta das autoridades chinesas pegou Trump de surpresa: sua moeda nacional foi desvalorizada em 1,7% ante o dólar norte-americano. Hoje, é preciso dar 7,07 yuans para comprar um dólar, uma taxa de câmbio que não se via há 11 anos.

Tornar mais barata a moeda local é uma medida adotada pelos países quando suas exportações são ameaçadas por um concorrente forte. Este caso foi semelhante, porque Washington anunciou impostos adicionais de 10% aos produtos chineses, que perderão competitividade ao entrarem mais caros no mercado estadunidense.

Agora, Trump diz que a desvalorização constitui uma violação, considerando-a uma manipulação monetária. Mas, na realidade, se trata de um ato de legítima defesa ante as agressões da Casa Branca. Um yuan mais barato significa um preço menor aos produtos de exportação chineses, tornando-os mais competitivos em nível internacional. Por outro lado, fica mais caro importar, porque é preciso gastar mais yuans para cobrir o preço em dólares.

A polêmica entre os especialistas na matéria sobre este tipo de decisões é antiga, e necessariamente passa pela questão da soberania monetária das nações. A China, por exemplo, manejou a paridade do yuan de acordo com o comportamento dos mercados, e nos últimos tempos levou em conta a evolução da guerra comercial declarada pelos EUA.

Além de desvalorizar a moeda, Pequim proibiu às empresas estatais comprar produtos e insumos a companhias norte-americanas do setor agrícola, principal base eleitoral de Donald Trump.

A guerra comercial entre as duas potências econômicas entrou na fase monetária, gerando quedas nas bolsas de valores da Ásia, Europa, EUA e América Latina.

Trump agora lamenta ter chegado a esse ponto, mas foi ele quem atirou a primeira pedra. Ao invés do que aconselhavam mentes mais lúcidas, mergulhou em águas pantanosas ao enfrentar um adversário que tem paciência e volumosos recursos para resistir num conflito que pode durar além do mandato do atual ocupante da Casa Branca.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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