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Amazônia: para lá do fogo

G. Alvarado

Milhares de imagens percorrem o mundo todos os dias sobre os incêndios na Amazônia, uma das principais reservas do mundo, onde a irresponsabilidade de nossa espécie está provocando uma tragédia de grandes consequências de curto, médio e longo prazo.

Já se sabe que a origem das chamas está na política meio ambiental desacertada do governo do Brasil, liderado por Jair Bolsonaro, que restringiu medidas e cortou verbas dando imunidade não declarada a latifundiários ávidos de terras para criar gado ou plantar soja, dois itens de exportação.

Este é um assunto político, que se pode corrigir com novas políticas ou com um novo governo, portanto, o povo do Brasil dirá a última palavra nas próximas eleições. 

Para lá das decisões e as chamas, há coisas que, infelizmente, não têm remédio. Uma delas é o elevadíssimo custo que, nestes dias está pagando a fauna e a flora numa região onde vive uma de cada 10 espécies existentes no planeta.

A selva amazônica não se parece com nenhuma outra no mundo e não está preparada para se queimar, como ocorre com outras florestas situadas, por exemplo, nos Estados Unidos, Europa ou Austrália, onde a regeneração depois do fogo é propícia para seu desenvolvimento.

Amazonas é uma realidade diferente e lá nada se adapta ao fogo, recorda o especialista William Magnusson, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, de Manaus, Brasil. Milhares de mamíferos, répteis, anfíbios, peixes e aves morrem todos os dias desde há quase um mês queimados pelas chamas, pelo calor e a fumaça dos incêndios.

É impossível esmiuçar o dano, mas o certo é que muitas espécies endêmicas vão sumir. Por exemplo, algumas variedades de macacos só tinham sido vistas em zonas onde os incêndios são mais ferozes e corre-se o risco de que desapareçam totalmente, denunciou o especialista Carlos Durigan.

Outras desgraças hão de ocorrer no futuro. As chamas destruíram milhares de quilômetros quadrados de folhagens, que impediam a luz do sol penetrar o solo e dava lugar a uma vida intensa num ambiente úmido e escuro que não existe mais. A transformação desse ecossistema vai modificar até a rede alimentícia para benefício exclusivo dos urubus e de outras aves que se alimentam de carnes em decomposição.

Magnusson afirma que se persistirem as políticas atuais que favorecem o desmatamento sem importar o custo, o limite da selva será empurrado cada vez mais ao norte e alterado para sempre o equilíbrio meio ambiental da América do Sul. 

É um preço a pagar pela humanidade toda porque, para lá do que diga Bolsonaro, a Amazônia não é de um, ou dois, ou cinco países, nem de um continente. A Amazônia é de toda nossa espécie.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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