Complô contra o papa Francisco

G. Alvarado

Grupos de notável poder econômico nos EUA, dos quais não são alheias algumas figuras importantes do governo do presidente Donald Trump, estariam levando adiante uma conspiração para depor o papa Francisco ou garantir a eleição de um próximo Sumo Pontífice afim a seus interesses.

Essa é a opinião do jornalista francês Nicolas Senèze, correspondente em Roma do diário católico “La Croix”, que fez uma investigação intitulada “Como a América quer mudar de papa”. Ele entregou uma cópia do documento ao próprio Francisco, cuja resposta repercutiu no mundo: “Para mim é uma honra que os norte-americanos me ataquem”.

Senèze diz que entre os envolvidos no complô há figuras como o banqueiro Frank Hanna, George Weigel e seu grupo Ethics and Public Policy Center – um dos chamados “tanques pensantes” ultraconservadores, e organizações ligadas à mídia como a Eternal World Television Network, cujo promotor e advogado, Timothy Busch, criou o Instituto Napa para divulgar o que ele considera uma “visão conservadora e livre da economia”.

Todos eles estão relacionados com altas figuras do governo, entre eles o vice-presidente Mike Pence, segundo afirmou Senèze em sua conversa com Eduardo Febbro, do diário argentino.

A conspiração começou em 2017, e um dos momentos críticos foi quando o cardeal Carlo Maria Vigamo – que foi nuncio do Vaticano nos EUA – publicou no ano seguinte uma carta onde atacava o papa Francisco e exigia sua renúncia. Na época, o religioso não conseguiu nenhuma adesão a sua rebelião solitária.

O assunto não surpreende se levarmos em conta que o Sumo Pontífice da Igreja Católica tem denunciado os alicerces do neoliberalismo e do sistema capitalista, entre eles a exploração ao máximo dos trabalhadores, que fazem mergulhar milhões de pessoas na pobreza.

O papa Francisco também condenou a intenção do governo norte-americano de construir um muro na fronteira com o México para conter o fluxo de migrantes sem documentos. Recordou aos políticos que defendem essas alternativas que “terminarão se tornando prisioneiros dos muros que constroem”.

O Vaticano tem mantido uma postura corajosa em temas como a defesa da natureza e o enfrentamento às mudanças climáticas e ao aquecimento global que ameaçam a vida no planeta. Recentemente, afirmou que os comunistas são os que pensam como cristãos, uma frase que gerou desconforto em Washington e noutros centros de poder.

Senèze advertiu que esses grupos até agora não conseguiram seu objetivo de depor o Sumo Pontífice, então, agora estão focados na próxima eleição para favorecer um candidato afim a suas ideias conservadoras. Para isso, pesquisam a vida e pensamento dos prováveis candidatos com o propósito de desprestigiar os que considerarem progressistas.

 

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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