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Equador: crise neoliberal

G. Alvarado, 8 de outubro

Apesar de o sindicato dos transportadores ter decidido levantar a greve no Equador, os protestos contra as reformas neoliberais impostas pelo governo de Lenin Moreno continuam e a situação está bem longe de se normalizar naquele país.

Onze federações de transportadores entregaram ao governo um documento que estampa sua oposição ao fim dos subsídios do Estado ao combustível,que provoca notáveis subidas dos preços, e decidiram não prosseguir os protestos contra Moreno.

Não obstante, organizações indígenas anunciaram mobilização por tempo não determinado. Ao mesmo tempo repudiaram a brutal repressão que as autoridades praticam assim como a detenção dos líderes sociais Marlon Santi, coordenador nacional do movimento Pachakutik, e Jairo Gualinga, dirigente juvenil.

Conforme a Confederação de Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana, não existe nenhum motivo para a detenção dos mencionados líderes, porque, até agora, as marchas foram pacíficas e nada têm a ver com os saques ocorridos em Quito e noutras cidades equatorianas.

Jaime Vargas, presidente da entidade, garantiu que a mobilização continuará apesar de os transportadores terem abandonado os protestos. E condenou o uso excessivo da força pela polícia.

Os indígenas são apoiados pelos estudantes universitários, que também manifestaram intenção de prosseguir as marchas contra o pacote neoliberal do governo.

Vale recordar que o presidente equatoriano anunciou a cessação do subsídio aos combustíveis após ter negociado com o FMI - Fundo Monetário Internacional um crédito de 4,2 bilhões de dólares. O fim do subsídio faz com que o preço da gasolina suba 123%.

Ao mesmo tempo, o vencimento dos servidores públicos diminuiu em 20%. Também se pretende privatizar o fundo para as aposentadorias, diminuir o montante das mesmas e tirar um dia de salário dos funcionários públicos.

Como se não bastasse, o pacotaço neoliberal inclui a rebaixa de impostos aos segmentos de elevadas rendas, que serão os únicos beneficiados com estas políticas impostas ao país pelo Fundo Monetário Internacional.

Um comunicado do partido Revolução Cidadã, assinado por Gabriela Rivadeneira, assinala: em doze meses, o governo de Moreno endividou o Equador muito mais do que os governos anteriores nos últimos nove anos.

Hoje, a dívida pública do Equador equivale a 31% do PIB - Produto Interno Bruto, a segunda mais elevada em toda a região. Só perde para a Argentina, onde este indicador supera os 120%.

Sem dúvida, a situação é grave e as possibilidades de manobra do presidente Moreno são poucas. Praticamente só lhe resta controlar os protestos a ferro e a fogo com sérias consequências para seu futuro e o de seu país.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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