Argentina: tchau, tchau neoliberais

G. Alvarado

A sabedoria dos povos não tem fim. Ainda não tinham sido divulgados formalmente os resultados das eleições presidenciais na Argentina, e a multidão já se espalhava pelas ruas e avenidas no centro de Buenos Aires para comemorar a vitória de Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner.

Muitas razões há para a alegria. As urnas confirmaram naquele país o que os levantes do Equador e Chile, a crise política do Peru e a reeleição de Evo Morales na Bolívia vinham anunciando: a “restauração conservadora foi uma passagem escura, porém efêmera na vida de nossos povos”.

A chapa Fernández-Fernández obteve a vitória no primeiro turno do pleito com mais de 48% dos votos.

A diferença entre os dois principais candidatos foi de oito pontos. Não houve aquela diferença enorme que anunciava a maioria das pesquisas, porém foi suficiente para mandar ao passado Mauricio Macri, cujo governo deixou fome, desemprego, endividamento e crise financeira.

O inepto manejo da economia se traduziu num ano de recessão, o custo de vida subiu às nuvens empurrado pelo fim dos subsídios a serviços como o transporte, energia elétrica, combustíveis e água, assim como as demissões em massa de servidores públicos.

A moeda nacional – o peso – caiu vertiginosamente e nem sequer o empréstimo de 57 bilhões de dólares contratado com o FMI - Fundo Monetário Internacional conseguiu parar a débâcle do mercado cambial.

Foi importante, também, a vitória de Axel Kicillof, eleito governador da província de Buenos Aires com mais de 52% dos votos.

Em nível regional, há uma mudança de rumo favorável aos projetos de integração, cooperação e solidariedade entre as nações que compartilham uma herança histórica e cultural.

Os que apostaram na desunião e na hegemonia norte-americana sobre o continente, esbarraram na oposição dos povos e começam a ir embora, e os poucos que ficam estão cada vez mais sozinhos e talvez já estejam pensando no que lhes pode deparar o futuro.

Naturalmente, são eventos que precisam de análises mais profundas e detalhadas, principalmente na medida em que vão sendo revelados outros dados importantes, como, por exemplo, a composição do Congresso e Senado argentinos.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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