O drama da infância que migra

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
2019-12-19 10:30:27

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G. Alvarado

Habitualmente, as crianças recebem presentes nas festas natalinas em quase todos os países, onde até as famílias mais pobres tratam de mimoseá-las de alguma maneira. Porém, há milhões de crianças no mundo que não têm esse privilégio, porque são obrigadas a migrar para salvar suas vidas ou buscar um futuro melhor.

Acompanhados de seus pais ou sós, são menores expulsos de seu lugar de origem pela violência, conflitos armados, desastres naturais, a fome e a miséria ou aspiram a uma vida melhor, sonho esquivo e, às vezes, irrealizável.

Informações do Fundo das Nações Unidas para a Infância UNICEF revelam que um de dez menores no mundo vive numa região de confrontos armados e mais de 400 milhões vivem em condições de extrema pobreza.

Em sua viagem a um hipotético mundo melhor podemos vê-los pelos quatro cantos do mundo: pequenos palestinos, rohingyas, europeus do leste, africanos ou latino-americanos, entre muitos outros, são expulsos de suas terras por diferentes motivos. Independentemente qual for, antes de tudo, são crianças que precisam de atenção e têm direitos.

Durante o trajeto enfrentam grandes dificuldades e muitas vezes morrem, como demonstram os corpos sem vida que se acham no fundo do Mar Mediterrâneo, desertos africanos ou nos áridos terrenos na fronteira sul dos Estados Unidos.

Igualmente, podem ser vítimas de traficantes, e escravos da exploração sexual ou de trabalho.

Carecem de acesso à educação e à saúde. Dezenas de milhares morreram em acampamentos insalubres por falta de atendimento ou de medicamentos apropriados.

Recentemente, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados ACNUR revelou que de 12 mil crianças entulhadas em várias ilhas gregas, só um por cento frequentam a escola.

Durante a grande crise migratória desencadeada no Mediterrâneo, a Grécia virou um dos pontos de acesso à Europa e, ao menos, 35 mil pessoas ficaram encalhadas lá, das quais 12 mil são menores de idade.

Já no caso das crianças latino-americanas, chegar aos Estados Unidos não significa o fim de seus sofrimentos, é apenas o começo de outros mais atrozes.

Lá, são separadas de suas famílias, fechadas em campos de internação, ou enjauladas, sem acesso a conselheiros legais, submetidas a julgamento num idioma que não entendem e expulsas sem dó. Pior, o governo de Donald Trump perdeu a pista de 2.500 menores, extraviados nessa maquinação judicial e carcerária e simplesmente não sabe onde estão.

As sequelas que deixarão esses maus tratos nas crianças que migram podem ser permanentes: medo, insegurança, pesadelos, falta de concentração, tristeza, rejeição e agressividade.

E não é para menos: roubaram sua infância e comprometeram seu futuro; muitas foram tratadas com hostilidade ou violência e fazem com que se sintam culpadas de buscarem seu lugar num mundo cruel, incompreensível e, em ocasiões, desumano.



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