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Colômbia, terra violenta

Por Guillermo Alvarado

Diferentes entidades expressaram sua preocupação com a violência desmedida na Colômbia, onde o número de assassinatos permanece elevado, especialmente de ativistas pelos direitos das comunidades indígenas, defensores do meio ambiente, e antigos combatentes que se acolheram aos acordos de paz assinados em 2016.

Um informe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz assinala: mais de 240 dirigentes comunitários – homens e mulheres – foram assassinados no ano passado, assim como 175 membros das ex-guerrilheiras Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo, conhecidas pelas siglas FARC-EP.

A maioria dos casos permanece impune devido à ineficácia, ou indiferença, da polícia e da justiça e a ausência do governo em lugares afastados, que estão em mãos de grupos irregulares.

O responsável da Missão de Verificação das Nações Unidas na Colômbia, Carlos Ruiz Massieu, advertiu os presentes numa reunião do Conselho de Segurança dos riscos que correm nove mil ex-guerrilheiros e as dificuldades que defrontam para ter acesso aos serviços básicos, emprego, e oportunidades de educação.

A violência e a insegurança constituem séria ameaça para a consolidação do processo de paz na Colômbia, comentou o funcionário.

Porém, a situação é muito mais grave se levarmos em conta um estudo da Procuradoria Geral da Colômbia, que foi publicado nestes dias pelo jornal local “El Tiempo”. Revela o artigo que em 2019 morreram 6.466 pessoas nas mãos de sicários.

Isto significa uma média de 17 assassinatos cometidos por sicários cada dia, no país sul-americano. Sem dúvida, um número que preocuparia qualquer um, menos as autoridades locais.

Vale lembrar que os sicários são responsáveis mais ou menos da metade dos crimes violentos cometidos na Colômbia.

Os departamentos mais castigados por este problema são Nariño, Medellín, Bogotá, Norte de Santander e Quindío, ainda que existem casos no resto da nação.

O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, que dirige a chilena Michelle Bachelet, chamou a atenção do governo que preside Ivan Duque exortando-o a pôr fim ao que denominou ciclo de violência e impunidade.

Sabemos que Bachelet costuma fazer vista grossa na hora de chamar a atenção de governos afins aos Estados Unidos, como ocorreu com Sebastián Piñera, presidente do Chile, a que não quis condenar com força pelas graves violações cometidas contra os manifestantes.

Contudo, parece que os escandalosos números de violência registrados na Colômbia obrigaram seu Escritório a se posicionar e, embora atenuasse o acontecido, não teve alternativa senão pedir explicações a Duque e aos militares.

Os assassinatos de líderes sociais e comunitários foram um dos temas arvorados nas gigantescas manifestações realizadas no final do ano passado contra o governo, mais a elevada pobreza, o desemprego e a falta de oportunidades são males ancestrais numa sociedade arruinada pelas desigualdades e as injustiças.

 

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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