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Desemprego classista

Por Guillermo Alvarado

Para lá da crise sanitária provocada pelo péssimo manejo da Covid-19 nos Estados Unidos, outro problema grave castiga a população: a destruição em massa de postos de trabalho que disparou a taxa de desemprego a 17 por cento, a mais alta nos últimos 90 anos.

Informações recentes revelam que perto de 37 milhões de pessoas perderam seus empregos e foram obrigadas a solicitar o subsídio que fornece o país.

Por trás dos números há uma tragédia de maiores proporções, porque o problema- como ocorre naquela sociedade -  se manifesta de mãos dadas com as profundas diferenças de classe.

A Reserva Federal, que algumas vezes faz de Banco Central dos Estados Unidos, informou que até o final do mês de março e começo de abril, 20 por cento dos mais pobres perderam seus empregos sendo obrigados a pedir licença sem salário, nem data de retorno, devido à pandemia.

O jornalista Sergio Kiernan, do jornal argentino Página 12, estima que o índice real de desemprego entre os trabalhos pior remunerados beira 40 por cento. No entanto, essa taxa é de apenas 1, 5 por cento entre os assalariados que recebem altos ordenados.

Como podemos ver, a diferença é abismal e se deve a que a pandemia eliminou, em primeiro lugar, os empregos mais precários, como balconistas, trabalhadores do setor gastronômico, pequenos e médios hotéis e, por incrível que pareça, até pessoal da saúde.

São aqueles que só conseguem os chamados “contratos lixo” que no melhor dos casos alcançam um salário mínimo, cobram por hora quando tem trabalho ou vivem das gorjetas.

São pessoas que não conseguiram poupar dinheiro para enfrentar a crise, não são donas de suas moradias e carecem do direito à indenização se forem demitidas, portanto, agora dependem do subsídio de desemprego.

O estudo da Reserva Federal abrange até a primeira quinzena de abril. Desde então as coisas pioraram muito. As estatísticas oficiais não recolhem outro importante setor trabalhista nos Estados Unidos: os imigrantes sem documentos, que ganham ainda menos  e não têm nenhum direito porque do ponto de vista legal simplesmente não existem.

Se ocorrer uma segunda onda de contágios – como pressagiam os especialistas - devido à apressada abertura da economia, serão os mais pobres do país mais rico os que conhecerão o lado mais escuro do chamado “sonho americano”.

 

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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