A corrida pela vacina

Por: Guillermo Alvarado

Quase todos estão convencidos de que as barreiras profiláticas e de isolamento social são medidas efetivas para romper a cadeia de contágios e frear a propagação da Covid-19, porém não constituem o remédio definitivo para esta doença.

Digo quase todos porque há exceções como os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Jair Bolsonaro, que são inimigos de normas tão simples como usar máscara e evitar multidões.

Pois bem, hoje os setores mais sensatos da humanidade estão concentrados na obtenção de uma vacina capaz de neutralizar a ameaça que representa o novo coronavírus,

Mas não se trata de qualquer vacina como explicou o renomado virologista Peter Piot, diretor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Além de ser muito eficaz, o que significa um desafio para a comunidade cientifica, tem de estar totalmente ao alcance das pessoas que precisarem da vacina, o que representa um desafio político, especialmente nestes tempos em que estão surgindo os chamados nacionalismos da vacina, segundo suas palavras.

Piot se refere, por exemplo, à pressa dos Estados Unidos de se apossarem de milhões de doses de uma eventual substância para uso exclusivo de sua população – não toda – como já tinha feito com o medicamento REMDESIVIR – um antiviral potencialmente útil para combater à Covid-19.

Se este tipo de comportamento proliferar entre os poucos países que têm capacidade para produzir vacinas, isto significa que bilhões de seres humanos ficariam excluídos, especialmente em nações pequenas e pobres que não contam com recursos tecnológicos para elaborar medicamentos ou imunizadores.

Por exemplo, a firma Sanofi tinha anunciado que os Estados Unidos teriam prioridade na compra de uma vacina, porque investiu muito dinheiro nas pesquisas, mas acabou não tocando mais no assunto depois de o governo francês ter protestado.

Sem dúvida, não é um assunto de pouca importância. Se essa vacina chegasse a ser descoberta, teriam de fabricar cinco ou seis bilhões de doses, ou mais, e administrá-las ao mesmo número de pessoas em todo o mundo, algo que jamais ocorreu na história.

É um esforço colossal que testará a vontade de cooperação científica, econômica, política e social e, se for obtida, e abrirá um raio de esperança de um mundo melhor para as novas gerações.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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