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A multinacional do crime

Por Guillermo Alvarado

A chamada Operação Condor foi a mais nefasta cooperação internacional que ocorreu, afirma a acadêmica e pesquisadora italiana Francesca Lessa, que dedicou longos anos a estudar os pormenores dessa espécie de multinacional do crime, auspiciada pelos Estados Unidos.

Chile, Argentina, Uruguai, Bolívia, Brasil e Paraguai são os participantes conhecidos dessas ações de extermínio e sumiço de militantes e líderes da esquerda, mas os tentáculos da Operação chegaram a muito mais países, da América Central inclusive.

Por exemplo, se sabe que militares argentinos assessoraram e treinaram militares guatemaltecos em táticas contraguerrilhas urbanas, que conduziram ao assassinato de dezenas de combatentes e ao desmantelamento de várias estruturas na capital e noutras cidades desse país, em 1981.

Ainda quando se estima que a Operação Condor seja uma coordenação destinada à repressão sem fronteiras que começou no final dos anos 1970 e 1980, Lessa assinala que ao menos uma década antes já existia troca de informação entre aparatos de inteligência da região.

Inclusive, algumas dessas táticas se utilizaram contra exilados brasileiros no Uruguai após o golpe de Estado de 1964.

Um fator determinante em seu desenvolvimento foi a imposição da doutrina de segurança nacional dos Estados Unidos, que incluiu o adestramento de centenas de oficiais na Escola das Américas ou em instalações situadas em território norte-americano, como Fort Bragg, entre outros.

Houve, também, cursos “a domicílio” sobre torturas que foram ministrados pelo agente da CIA Dan Mitrione.

Francesa Lessa contou ao diário “Página 12” que seu trabalho lhe permitiu identificar 763 vítimas dessa coordenação repressiva e compareceu durante anos aos julgamentos realizados na Argentina contra vários culpados.

Não pôde fazer a mesma coisa no Uruguai, porque foi ameaçada de morte em 2017 pelo Comando Barneix, um aparato clandestino de extrema direita que ataca juízes, testemunhas e jornalistas para impedir que se faça justiça.

Esse grupo – prova clara de que a garra do condor não sumiu – foi criado após a morte do general uruguaio Pedro Barneix, que se suicidou após ter sido processado por graves violações aos direitos humanos.

Até agora, Argentina foi que investigou com maior seriedade os abusos cometidos pelos exércitos e policias regionais. Houve alguns julgamentos no Chile e Uruguai, mas com enfoque bem local.

Continuam existindo mais perguntas do que respostas com relação à Operação Condor e milhares de descendentes de suas vítimas estão à espera da verdade sobre os culpados e seu devido castigo.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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