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Eleições nos Estados Unidos: a dança dos milhões

O início das candidaturas à presidência dos Estados Unidos, programadas para novembro de 2016, trouxe à tona o debate sobre um dos pontos mais polêmicos neste processo. Estamos falando no financiamento dos candidatos ao cargo, que costuma alcançar montantes multimilionárias no país mais rico, mas também um dos mais desiguais do mundo.

De acordo com recente pesquisa de opinião realizada pelo jornal The New York Time, 80% dos cidadãos consideram que o dinheiro desempenha um papel importante demais nas campanhas eleitorais.

Com efeito, durante anos se denunciou que a capacidade de um candidato de obter dinheiro para sua campanha é muito mais importante do que seu programa de governo.

Em 2010, as leis norte-americanas eliminaram as barreras à arrecadação financeira que fazem os partidos políticos através dos PACs, Comitês de Ação Política. Estes organismos são os encarregados de juntar dinheiro entre seus membros e entregá-lo aos candidatos.

A desregulamentação de gastos de campanha fez com que as somas empregadas em 2012 aumentassem a 2,6 bilhões de dólares. Os algarismos dobraram o que gastaram, em 2000, os principais partidos: o Democrata e o Republicano.

Tais somas despendidas para eleger governantes são realmente escandalosas, ainda quando se tratar do país reconhecido como o mais rico do mundo. Não obstante, a tragédia maior é que os Estados Unidos se acha entre os países com enormes desigualdades sociais.

Hoje em dia, 15% da população, o que equivale a 50 milhões de pessoas, vivem debaixo do nível de pobreza. A maior parte delas são crianças e adolescentes, que não têm oportunidades para satisfazer suas necessidades.

Segundo Gene Nichol, professor da Universidade de Carolina do Norte, os Estados Unidos não perderam a guerra contra a pobreza, simplesmente abandonou o campo de batalha.

Esta é uma das razões pelas que muitas pessoas consideram ilógico o exagero das campanhas eleitorais. Vale mencionar que esses fundos também contam com generosas doações de grandes corporações ou magnates, que logo depois vão tentar recuperar seu investimento graças a sua influência no partido vencedor.

A história desta absurda situação é muito antiga: começou no século passado, quando o presidente Roosevelt firmou a Lei Tillman, primeira norma destinada a regular o financiamento dos partidos políticos.

Essa e outras legislações fracassaram pelo acionar dos grandes grupos de poder que rejeitam pôr limites à entrega de fundos a candidatos ou partidos. Com isso, o dinheiro se coloca acima dos valores, os princípios ou programas que presidentes, senadores, representantes e funcionários asseguram defender.

(GA – 18 de junho de 2015)

 

 

Editado por Juan Leandro
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