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Biotecnologia: uma área em que Cuba e Estados Unidos poderiam estabelecer parceria

Um fórum empresarial de alto nível faz parte das atividades no marco da visita que realiza a Cuba o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. E, nesse encontro, os homens de negócios dos dois países vão sondar diferentes áreas que beneficiariam ambos os países, como o elevado desenvolvimento obtido nos últimos anos pela biotecnologia na Ilha.

O doutor Agustín Lage, diretor do Centro de Imunologia Molecular, afirma que existem produtos biotecnológicos – os anticorpos monoclonais para o tratamento de diferentes tipos de câncer, e a vacina terapêutica, entre outros – que poderiam interessar os pacientes norte-americanos, e aos que poderiam ter acesso no futuro.

Neste momento, é impossível vender estes medicamentos nos Estados Unidos devido ao bloqueio econômico, comercial e financeiro que Washington impôs há mais de 50 anos a Cuba.

Apesar de algumas medidas adotadas por Obama desde o reatamento das relações diplomáticas, em 17 de dezembro de 2014, ainda se proíbe a importação pelos Estados Unidos de qualquer produto ou serviço cubano.

Apesar do cerco, houve avanços com algumas entidades: Cuba está trabalhando em parceria com o Roswell Park Cancer Institute, em Nova York, para começar, neste ano, os ensaios clínicos com o anticorpo da vacina terapêutica contra o câncer de pulmão.

Outra possibilidade com grandes perspectivas é o Heberprot-P, um medicamento único no mundo que reduziu o índice de amputações em pacientes com úlceras do pé diabético até em 75 por cento.

Os Estados Unidos é o país com maior prevalência de pacientes diabéticos no mundo, e segundo a Associação Americana de Diabete, um de cinco dólares que o governo desse país gasta em saúde é destinado a este padecimento.

Apesar disso, e embora tenha se aprovado uma licença para fazer ensaios clínicos, ainda são proibidas as vendas futuras do Heberprot-P, ainda que sua efetividade fosse aprovada pelas autoridades sanitárias norte-americanas.

O vasto leque de produtos desenvolvidos em Cuba que teriam elevada procura nos Estados Unidos inclui, por exemplo, uma nova vacina contra a hepatite do tipo B, que demonstrou ser mais eficaz que qualquer outra similar no planeta.

Atualmente, estão aprovados ensaios clínicos deste medicamento em países como Austrália, Bangladesh, Coreia do Sul, Filipinas, Nova Zelândia, Cingapura, Tailândia e Taiwan.

No ano passado, fechou-se acordo com uma empresa chinesa para a criação de uma fábrica de anticorpos na Zona Especial de Desenvolvimento do Mariel.

Para além de ser um importante passo na realização do direito à saúde de sua população, para Cuba é um motivo de orgulho o desenvolvimento alcançado neste ramo das ciências, que agora poderia estar, também, ao alcance dos cidadãos norte-americanos se suas autoridades escutarem a voz do bom senso: eliminar de uma vez e para sempre o absurdo e anacrônico bloqueio, uma relíquia indesejada da guerra fria.

Editado por Yusvel Ibáñes Salas
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