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Sobe número de crianças que migram sem acompanhante

Em consequência da crescente pobreza, a violência e a desagregação familiar, cada vez é maior o número de crianças e adolescentes dos países centro-americanos e do México que optam por iniciar, sem adultos, a perigosa viagem para os Estados Unidos esperando encontrar lá futuro melhor ou se reunir com seus parentes.

Recente comunicado da Secretaria de Relações Exteriores do México revela que entre outubro de 2015 e final de janeiro deste ano, o número de crianças que viajam sozinhas e foram retidas nesse país subiu 100%.

Nos últimos anos, foram deportados, em total, 14 mil menores originários quase todos dos três países do Chamado Triângulo Norte da América Central: Guatemala, Honduras e El Salvador.

Porém, esse triste fenômeno não se limita a esta área. De 2013 a 2014, a patrulha fronteiriça dos Estados Unidos deteve 51 mil crianças, das quais mais de 12 mil eram mexicanas.

Diante do crescimento deste fluxo, ao invés de seguir os procedimentos estabelecidos, a patrulha mantém elas retidas em lugares inapropriados, onde ficam entulhadas e expostas a males que afetam seu desenvolvimento e saúde emocional.

É um verdadeiro drama cujo denominador comum é a pobreza e a falta de oportunidades, bem como a inexistência, em algumas nações, de políticas públicas destinadas a fomentar a inclusão, a escolaridade e a certeza de encontrar um trabalho para a juventude.

A este flagelo se soma, nas últimas décadas, outro fenômeno negativo: a violência das gangues juvenis, que semeiam o terror em várias comunidades e se convertem em ameaça porquanto recrutam à força crianças e adolescentes e matam aqueles que se opõem ou tratam de sair de suas fileiras.

Além desses grupos, existe o crime organizado, principalmente o narcotráfico, que utiliza as crianças como vigilantes ou para transportar pequena quantidade de drogas.

Um estudo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados chamado “crianças em fuga” revelou que 39 por cento das crianças mexicanas detidas na fronteira com os Estados Unidos declarou que tentam emigrar por causa do recrutamento e a exploração criminosa.

O texto também revela uma mudança nos fluxos migratórios, com participação crescente de meninas cada vez mais novas, o que demonstra o elevado grau de desespero criado pelas condições em que devem sobreviver em suas comunidades.

Trata-se de uma crise humanitária silenciosa que deve levar para uma ação regional coordenada, cujo objetivo fundamental é a eliminação das causas que a provocam.

Talvez seja muito difícil, ou impossível, devolver estas crianças já afetadas pelo flagelo de sua inocência perdida, mas se deve evitar seja como for que outras sigam por esse pedregoso e quase sempre estéril caminho.

Editado por Yusvel Ibáñes Salas
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