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Está na hora de Hilary

Por Ricardo Alarcón de Quesada

Hillary Clinton e Donald Trump durante o debate eleitoral. A quase um mês das eleições norte-americanas ainda é possível que Donald Trump resultar o ganhador. Tamanha situação é enxergada com assombro e preocupação por aqueles que nos Estados Unidos acreditam ainda nas suas instituições.

Quando iniciou sua campanha poucos tomaram a sério as aspirações do milionário que sintetiza as duas qualidades que para Octávio Paz definiam a conduta imperial: arrogância e ignorância. De ambas ostentou quando enfrentou aos outros contendentes republicanos e agora contra Hillary Clinton. Ao longo dessa trajetória tem tratado de se apresentar, demagógica mente, como se fosse um inimigo do “establishment” e porta-voz de suas vítimas. Com apenas lermos as suas propostas para compreender que esta a mentir descaradamente. Seu plano de reforma impositiva beneficiaria só aos que concentram as riquezas e prejudicaria aos que vivem de seu ordenado.

Além disso , caso único na história norte-americana, se nega a divulgar seus relatórios ao Serviço de Rendas Internas, e por se fosse ainda pouco, tem alardeado de não pagar seus impostos durante anos. Al Capone foi enviado ao cárcere por esse delito. Mas Trump segue percorrendo livremente o país onde é aplaudido por milhares de entusiastas seguidores. Por todas partes, dia a dia, repete uma mensagem de ódio, preconceitos e violência.

É longa a lista daqueles que são alvo de seus insultos e ameaças: os mexicanos e as mulheres, os muçulmanos e os descapacitados físicos, os imigrantes e a comunidade LGTB, os que advogam por limitar o comércio de armas e que lutam contra a contaminação atmosférica e um interminável etcétera que insere aos políticos republicanos que tomam distância de seu discurso ultrarreacionário e sua linguagem procaz.

Em duas ocasiões sugeriu o assassinato de Hillary Clinton e no debate com ela, perante milhões de televidentes, a ameaçou com a encarcerá-la em caso de chegar ele à presidência. Em qualquer país do mundo, e em Estados Unidos em situações normais, uma personagem semelhante perderia qualquer eleição e provavelmente seria enclarcerado numa instituição penal ou nalgum sanatório. Trump, incrivelmente, tem sido o centro da campanha eleitoral e embora seja criticado por muitos, tem o respaldo de milhões de eleitores.

A única possibilidade de derrotá-lo é Hillary Clinton, a primeira mulher na história com possibilidades de ser eleita. A diferença entre ambos é abismal. Não exagerou Barak Obama quando disse que ela estava mais preparada que ele -Obama- ou seu marido -Bill Clinton- para exercer a presidência. Hillary tem uma longa trajetória política desde seus tempos juvenis e sempre tem sido vista como uma inimiga pelos grupos mais conservadores que contra ela têm desatado uma campanha feroz na que abundam as calunias.

Cometeu erros, alguns de transcendência , fez concessões censuráveis, não sempre se manteve fiel a seus ideais de juventude. Mas o mesmo pode dizer de qualquer político norte-americano e nenhum tem sido submetido como ela ao escrutínio implacável de todos os meios de comunicação -os das grandes corporações e também os outros que circulam no universo digital- que têm examinado sua vida ao pormenor e não podem acusá-la de ter cometido crime algum.

O maior cargo contra ela é ter abraçado o neoliberalismo como fizeram quase todos os de seu partido e ter aplicado, como Secretária de Estado, a linha belicista da Casa Branca. Estados Unidos segue sendo a potência mais poderosa mas, sua sociedade atravessa uma profunda crise. A frustração e o mal-estar predominam numa cidadania a cada vez mais céptica face seus políticos. Donald Trump manipula essa situação e fá-lo apelando ao racismo, o individualismo brutal, a estultícia e a violência que têm estado presentes, desde sua origem, na nação que se crê superior a todo o mundo.

Sua candidatura tem monstrado o pior de Norte-América e virou numa força política organizada. Hillary não representa uma alternativa revolucionária. Elegê-la não produzirá a transformação radical da sociedade norte-americana. Mas, neste momento ela é a única esperança para deter a barbárie. É possível vencer a Trump. Mas é preciso que seja uma derrota esmagadora, uma avalanche de votos que não só ponha fora de combate ao inaudito demagogo senão que permita iniciar uma etapa nova na que possa ser derrotado também o “trumpismo”, essa doença que acaba com a sociedade norte-americana e ameaça à Humanidade.

 

Editado por Martha C. Moya
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