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OS 10 ACONTECIMENTOS INTERNACIONAIS MAIS RELEVANTES DE 2016

1.- ACORDO DE PAZ NA COLÔMBIA

O Congresso colombiano aprovou o renegociado acordo de paz pactuado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Farc – em 24 de novembro de 2016, em Bogotá, e divulgado em Havana 12 dias antes.

A capital de Cuba foi teatro de quatro anos de negociações árduas, às vezes tensas, que culminaram com a assinatura do acordo inicial em 24 de agosto.

Este pacto foi confirmado em ato de solenidade histórico na cidade colombiana de Cartagena das Índias em 26 de setembro passado, porém foi rejeitado num plebiscito realizado na Colômbia a dois de outubro.

O novo a definitivo acordo de paz em vias de implementação se obteve a partir de propostas de simpatizantes do NÃO na consulta popular.

Segundo o pacto, os rebeldes irão aos lugares de agrupamento para começar o desarmamento e a preparação para a reintegração à vida civil.

 

2.- GOLPE DE ESTADO PARLAMENTAR NO BRASIL

O processo de impeachment contra Dilma Rousseff durou oito meses e 17 dias e culminou com o afastamento da presidente ao consumar-se o golpe de estado sobre o qual ela mesma tinha advertido.

Dilma foi julgada por responsabilidades políticas e não penais. Sua saída da presidência colocou ponto final a 13 anos de governos do PT – Partido dos Trabalhadores – que tinha começado com Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.

Lula é alvo de uma perseguição judicial para impedir sua candidatura à presidência em 2018.

Após o golpe, assumiu a presidência o vice Michel Temer e rapidamente empreendeu um programa de governo de características neoliberais.

3.-O MUNDO INQUIETO COM A VITÓRIA ELEITORAL DE DONALD TRUMP NOS EUA

Sem experiência política e com declarações incendiárias, o magnata Donald Trump ganhou as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos. Os republicanos também triunfaram no Senado e na Câmara de Representantes colocando ponto final à uma campanha eleitoral escandalosa, com mais troca de insultos do que debate político.

Apesar das evidências que o desqualificam no plano ético, o multimilionário empresário atraiu a atenção de setores contrários à imigração.

Gostaram das sugestões de erguer um muro na fronteira com o México custeado pela nação vizinha, triplicar o número de agentes de imigração e proibir a entrada de muçulmanos nos EUA.

Trump também recebeu o apoio de grupos religiosos conservadores e da classe trabalhadora branca, que acreditam que os tratados comerciais eliminaram postos de trabalho.

A visão racista da supremacia branca, a projeção morna da candidata democrata Hillary Clinton e a rejeição à política tradicional, contribuíram para a vitória do magnata em votos eleitorais, mas perdeu a contenda popular.

4.- DIREITA DOMÉSTICA E INTERNACIONAL PERSEGUE GOVERNO VENEZUELANO

A Revolução Bolivariana defrontou sérios desafios devido à beligerância da oposição, que recebe apoio do exterior, os ataques do secretário geral da OEA, a decisão do MERCOSUL de suspender a Venezuela e a persistência da guerra econômica.

Graças à mediação do Vaticano, UNASUL – União de Nações Sul-Americanas, e três ex-presidentes, em 30 de novembro começaram negociações entre representantes do governo e da denominada Mesa da Unidade Democrática - MUD.

Todos os grupos da oposição não participaram do encontro, mesmo assim, as reuniões permitiram canalizar as posições antagônicas e desativar, momentaneamente, alguns planos golpistas da direita.

Ao longo do ano, a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, virou as costas para as medidas econômicas de emergência do governo e exacerbou o conflito de poderes.

A oligarquia e os partidos tradicionais insistiram em iniciar um debate no legislativo para determinar a suposta responsabilidade do presidente Nicolás Maduro no que chamaram de “ruptura da Constituição”.

A decisão do legislativo não tem validade, porquanto o Supremo Tribunal de Justiça declarou, em setembro passado, que são totalmente nulos os atos do Parlamento, depois deste ter-se declarado em desacato ao máximo tribunal.

O governo manteve as principais missões sociais em meio ao desabastecimento de produtos básicos, provocado pela especulação, a perseguição de agências internacionais e bancos e a cumplicidade de empresários venezuelanos.

Para fechar um cerco contra a Venezuela, em 31 de maio passado, o secretário geral da OEA, Luis Almagro, quis ativar a Carta Democrática em relação ao país sul-americano, mas a manobra foi derrotada.

Em ação política, os governos direitistas da Argentina, Brasil e Paraguai propulsaram a suspensão da Venezuela do MERCOSUL justificando a medida com suposto descumprimento do prazo estabelecido para o protocolo de adesão.

5.- GOVERNO SÍRIO REVERTE SITUAÇÃO MILITAR E RECUPERA POSIÇÕES

Houve virada na situação militar na Síria com o avanço do exército na cidade de Alepo, a segunda mais importante do país, que tinha sido tomada por grupos terroristas com o apoio de Ocidente e de monarquias árabes.

Os extremistas sofreram sua maior derrota desde 2012 devido a uma estratégia do governo do presidente Bashar Al Assad, para recuperar as grandes cidades, algumas delas ocupadas pela Frente Al Nusra e outros grupos terroristas.

Ao fracassar uma frágil trégua para a Síria que tinha sido acertada entre Rússia e Estados Unidos, no mês de setembro, Al Assad endureceu a ofensiva contra os irregulares, apoiado por Moscou.

A tomada de Alepo pelo exército sírio foi um grande passo de avanço, contudo os enfrentamentos em outros lugares do país e na periferia de Damasco, a capital não cessaram.

6.- MASSACRES NOS EUA, EUROPA E ORIENTE MÉDIO

A organização terrorista Estado Islâmico se atribuiu em 22 de março dois atentados ocorridos em Bruxelas, capital da Bélgica e sede da União Europeia e da OTAN. O ato terrorista matou 34 pessoas e feriu dezenas. Quatro dias mais tarde, foi preso nessa cidade Salah Abbdeslam, um dos suspeitos dos ataques de novembro de 2015 em Paris, que matou 130 pessoas.

O Estado Islâmico se atribuiu um atentado cometido a 3 de julho numa zona comercial de Bagdá, a capital do Iraque, com mais de 300 mortos e quase 200 feridos.

Em um clube noturno da cidade norte-americana de Orlando, morreram umas 50 pessoas e dezenas receberam ferimentos, quando, em 12 de junho Omar Mateen, de pais afegãos, abriu fogo contra os presentes.

O acontecimento se tornou o tiroteio mais letal na história moderna dos Estados Unidos.

7.- TERREMOTOS DEVASTAM EQUADOR E ITÁLIA

Equador e Itália foram abalados por grandes terremotos que provocaram muitos mortos e consideráveis prejuízos materiais.

O país sul-americano se recupera do abalo sísmico de 16 de abril passado, que deixou 661 mortos e milhares de danificados.

Considerado um dos mais mortíferos nos últimos anos na América Latina, o movimento telúrico destruiu 800 edifícios, deixou 600 em más condições, numerosas rodovias se racharam tornando-se intransitáveis e infraestruturas colapsaram em regiões turísticas.

Já na Itália, um terremoto de 6 graus na escala de Richter sacudiu a porção central do país em 23 de agosto com epicentro nas montanhas. O abalo destruiu vários vilarejos provocando a morte de umas 250 pessoas, entre elas muitas crianças.

8.- BREXIT TRIUNFA NA GRÃ-BRETANHA E OS ITALIANOS RECHAÇAM MUDANÇAS PROPOSTAS POR RENZI

A Europa foi abalada pela decisão dos britânicos de sair do bloco comunitário e os acontecimentos na Itália, onde a maioria da população disse NÃO às propostas de modificações constitucionais e renunciou o primeiro ministro.

Em plebiscito realizado em 23 de junho, 51, 9 por cento dos britânicos optaram por sair da União Europeia.

Após campanha agressiva e com paridade nas intenções de voto, o então primeiro-ministro David Cameron tinha advertido que a Grã-Bretanha não podia sair da União Europeia com mentiras e uma preocupação exagerada pelo tema migratório.

O resultado histórico da votação levou à renúncia de Cameron, que foi substituído por Theresa May, que conduzirá a saída total do país da União Europeia nos próximos dois anos.

Na Itália, o primeiro-ministro Mateo Renzi se demitiu formalmente em 7 de dezembro após ter sido derrotado num referendo realizado três dias antes.

Renzi, que durou três anos no cargo, apostou nas modificações constitucionais que teriam dado mais poderes ao executivo, porém a maioria dos italianos não quis que fossem assim.

A crise cessou com a nomeação do ex-chanceler Paolo Gentiloni como novo primeiro-ministro.

9.- ESPANHA CONTINUA COM RAJOY APÓS PROLONGADA CRISE POLÍTICA

Após 10 meses de crise política e duas eleições, o líder do conservador Partido Popular, Mariano Rajoy, assumiu o cargo de presidente do governo espanhol, em 31 de outubro.

Rajoy venceu a votação no Congresso dos Deputados graças à abstenção do PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol.

Depois de negar apoio a Rajoy durante meses, os socialistas mudaram de ideia em meio a uma crise interna, que levou seu secretário geral Pedro Sánchez a se demitir.

O partido de esquerda PODEMOS se manteve entre os principais grupos políticos, mas seu líder Pablo Iglesias não conseguiu convencer Pedro Sánchez de formar um governo dirigido pela esquerda.

10.- HONDURAS: A VIDA NÃO VALE NADA

Duas conhecidas ativistas sociais ligadas à conservação do meio ambiente foram assassinadas em Honduras.

Berta Cáceres, 43 anos, foi abatida a tiros em 3 de março por pessoas que invadiram sua casa, a noroeste de Tegucigalpa, a capital.

Cáceres era coordenadora do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras, defensora da natureza e tinha denunciado ameaças de empresários, de hidrelétricas e mineradoras, apoiadas pelo governo.

Centenas de hondurenhos acompanharam o enterro da ambientalista Lésbia Yaneth Urquía, assassinada no departamento de La Paz, em 7 de julho passado.

Lésbia era contra a privatização dos projetos de energia em sua região natal.

 

 

 

 

 

 

Editado por Martha C. Moya
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