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Manuel López Obrador, a luz da esquerda para o México

Em 2018, se realizaram no México as eleições mais importantes de sua história em meio a um clima de corrupção, violência e pobreza nunca antes vistas no país. Sem falar na crise dos migrantes centro-americanos que escolheram esse país como ponte para entrar nos Estados Unidos.

No meio disso tomou posse como presidente o político de esquerda Andrés Manuel López Obrador, a 1º de dezembro.

Após duas tentativas falidas para se tornar presidente, López Obrador conseguiu se eleger em 1º de julho de 2018 obtendo o maior apoio recebido por um candidato em eleições presidenciais na história do México.

O representante do Movimento de Regeneração Nacional, conhecido como MORENA, obteve o apoio de mais de 53 por cento dos votantes, muito superior ao de seus mais próximos rivais: Ricardo Anaya, com 22 por cento e José Antonio Meade, com pouco mais de15 por cento.

Um mês depois de ter sido empossado, Andrés Manuel López Obrador parece destinado a mudar a história, ainda que os desafios por ele encarados sejam enormes, estamos falando concretamente na migração, na violência e no comércio.

Em sua gestão, o presidente mexicano tem de lidar com a crise migratória, na que cidadãos latino-americanos pretendem entrar nos Estados Unidos através da fronteira mexicana. De um lado, aumenta a repressão contra essas pessoas por parte da guarda-fronteira norte-americana. Do outro, o presidente Donald Trump pressiona o Congresso norte-americano para que aprove as verbas necessárias para a construção do muro fronteiriço entre as duas nações.

Com relação ao tema, López Obrador acertou com o governo de Trump que os migrantes que peçam asilo poderão permanecer em território mexicano enquanto durar o processo.

Assinou, também, com os presidentes de El Salvador, Guatemala e Honduras um acordo para implementar um programa que gere empregos na região e elimine as causas estruturais da migração nesses países.

O novo presidente mexicano também terá de lutar contra a violência, a corrupção e a impunidade. Nos últimos seis anos, mais de 120.600 pessoas foram assassinadas no México.

Em matéria de segurança, López Obrador pretende tirar o exército das ruas e melhorar a articulação e a profissionalização da polícia para combater delitos como o roubo, o sequestro e os assassinatos.

Comprometeu-se a lutar, também, contra a pobreza, porque no seu entendimento não pode haver um governo rico com um povo pobre.

No quadro dessas iniciativas, prometeu subir ao dobro as aposentadorias, pagar pensões a um milhão de pessoas incapacitadas, atendimento médico à população sem recursos e elevar o programa de bolsas para estudantes a fim de evitar a deserção escolar.

Estas e outras iniciativas levaram mais de 30 milhões de mexicanos a votarem em López Obrador.

Concretamente, recebeu o apoio de pouco mais de 53 por cento dos votantes que depositam nele a esperança de se integrar à sociedade da que foram marginalizados pelo regime neoliberal reinante ao longo de muitos e muitos anos.

Hoje em dia, quando os ventos do neoliberalismo sacodem América Latina, é estimulante que um homem de esquerda pegue as rédeas de um país que foi governado por partidos de tendência conservadora.

Em seu primeiro discurso como presidente, López Obrador recordou que o México viveu desde 1983 sob um modelo econômico neoliberal que não deu resultado e que, portanto, precisa ser transformado.

Assinalou que, com seu governo, começa a quarta transformação política do México, que a mudança será pacífica e ordenada, porém profunda e radical, vai acabar com a corrupção e a impunidade que impediram até agora o renascimento do país.

Confirmou que vai revisar a calamitosa Reforma Energética e levará boa parte de suas decisões a consultas populares.

Adiantou que a política externa se baseará em valores históricos de independência e liberdade, na igualdade soberana entre os países, a não intervenção e a solidariedade e a cooperação entre povos e países.

Nessa direção, realçou que manterá relações de amizade e cooperação com todas as regiões, dando prioridade aos vínculos com América Latina e o Caribe por razões históricas, culturais e de solidariedade.

Sobre Estados Unidos, afirmou que a relação com eles será equilibrada, de cooperação para o desenvolvimento em benefício mútuo em qualquer área, menos a militar.

Avisou que vai reforçar relações como países como China, Rússia, África do Sul, Índia e a região Ásia- Pacífico, porque considera que com isso se pode auspiciar uma ordem internacional construída entre todos, na que a globalização não quer dizer hegemonia.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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