Por Guillermo Alvarado.
Finalmente, na noite de domingo, horário europeu, a União Europeia emitiu uma declaração tímida sobre o brutal ataque militar ordenado na madrugada de sábado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela.
A declaração chegou tarde demais e é insuficiente dada a gravidade dos eventos, já que Washington violou todas as normas reconhecidas das relações internacionais e os princípios mais básicos da conduta humana.
A agressão da Casa Branca contra uma nação soberana também contém todos os fatores agravantes para classificá-la como assassinato: premeditação, aproveitamento da situação sob a cobertura da escuridão e traição, agravada pelo sequestro de um chefe de Estado e sua esposa.
A “cultivada” União Europeia apela a “todos os atores” para que evitem a escalada e garantam uma resolução pacífica da situação, mas omite que os Estados Unidos são o país agressor e a Venezuela a vítima; portanto, o apelo deve ser dirigido diretamente a Washington.
Além disso, os signatários revelam seu receio de desagradar o Tio Sam ao não mencioná-lo diretamente pelo nome.
Os líderes do velho continente afirmam que os países membros do Conselho de Segurança têm uma responsabilidade especial na defesa do direito internacional e dos princípios da Carta da ONU.
Por que não mencionar os Estados Unidos diretamente, em vez de usar linguagem metafórica? Têm tanto medo de desagradar o irascível Sr. Trump que preferem passar a vergonha de evitar mencioná-lo!
Como se fosse pouco, o texto foi divulgado pela alta representante para a Política Exterior da União Europeia, Kaja Kallas, em vez da Presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen, como corresponde nesses casos.
Após mais de 30 horas de negociações — como é complicado para os europeus meter-se com Trump — o documento foi assinado por 26 membros, já que a Hungria se retirou do grupo.
Segundo relatos da imprensa, um dos que mais pressionaram pela declaração foi Pedro Sánchez, o presidente do governo espanhol, que em seu momento tinha condenado categoricamente o genocídio israelense na Faixa de Gaza.
Pessoalmente, acho surpreendente que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tenha assinado o documento, ainda que seu conteúdo seja tão morno que não compromete sua relação com Washington.
No sábado passado, a chefe de Governo italiana conversou com María Corina Machado, que levou o Prêmio Nobel da Paz por incitar a guerra contra o país onde nasceu — mais uma contradição europeia!
Não bastou o conteúdo morno da declaração para deixar claro que não querem desagradar Trump, acrescentaram: “A UE compartilha a prioridade de combater o crime organizado transnacional e o narcotráfico, que representam uma ameaça significativa à segurança no mundo todo”.
Se estão tão preocupados com o narcotráfico, no mínimo é curioso que tenham permanecido calados quando o presidente dos EUA concedeu indulto a um narcotraficante confesso, o ex-presidente hondurenho Juan Orlando González.
