Por Roberto Morejón.
A líder da oposição venezuelana de extrema-direita, María Corina Machado, encontrou um presente fascinante para cativar Donald Trump, presidente do país que a patrocinou: a medalha do imerecido Prêmio Nobel da Paz.
Nem assim obteve, durante sua visita a Washington, regozijo, câmeras, holofotes ou promessas de ser colocada no Palácio de Miraflores, em Caracas.
Donald Trump manifesta simpatia, mas confessa com desdém que ela não preenche os critérios para governar o país sul-americano.
A análise vem a propósito de o republicano ter ordenado, e a ambiciosa Corina aplaudido, o ataque contra a Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro e sua mulher Cilia Flores.
A opositora recalcitrante apoiou o ataque, desconsiderando a violação do direito internacional e a imunidade do chefe de Estado. Mesmo assim, não conseguiu a aquiescência de Washington.
Foi então que surgiu a iniciativa de oferecer o Prêmio Nobel que ela recebeu em Oslo, embora isso tenha provocado críticas e zombarias pelo que muitos consideram subserviência.
Corina desafiou seus críticos, incluindo o Comitê Nobel, já que o prêmio não pode ser compartilhado ou transferido.
Para lá do que as decisões em relação ao Nobel despertaram raiva e perplexidade, a “abnegação” de Corina lhe rendeu escárnios por usá-lo para bajular o presidente dos EUA.
Raymond Johansen, ex-prefeito de Oslo, tem razão ao acreditar que a concessão do Prêmio Nobel poderia legitimar um projeto que vai contra a paz.
Para começar, o ataque contra Caracas e outras três cidades atenta contra a declaração da América Latina e do Caribe como Zona de Paz e poderia preceder novas ações beligerantes.
Contudo, dirá Corina, nem tudo está perdido. A Casa Branca, onde ela entrou pela porta dos empregados, compartilhou uma foto em que Trump posa sorrindo ao lado dela e da medalha.
É uma esperança depois que o congratulado dissera que a doadora “não tinha o apoio, nem o respeito suficiente” para governar em Caracas.
Com essa luz, a visitante se consola após ser omitida uma coletiva de imprensa conjunta, o perfil discreto de seu acesso à Casa Branca e a escolha de um refeitório auxiliar para para o encontro com Trump.
Uma recepção morna, pensará Corina, sem demonstrá-lo é claro, após ter pedido intervenção militar em seu país e não ter criticado as execuções extrajudiciais de mais de cem tripulantes de supostos barcos de narcotráfico no Caribe.
