EUA: uma velha doutrina

Editado por Juan Leandro
2013-12-04 10:43:36

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Quando Barack Obama chegou à Presidência disse que era a favor de uma mudança nas relações com a América Latina, uma região que os EUA sempre consideraram seu quintal a partir da velha Doutrina Monroe, que serviu de justificativa para as intervenções norte-americanas nos países da América Latina e o Caribe.

Hoje, todos continuam esperando essa mudança. O secretário de Estado, John Kerry, acaba de anunciar o fim da era da Doutrina Monroe. Contudo, sua fala gerou mais receio e suspeitas. Cabe recordar que num discurso no Congresso norte-americano, no começo deste ano, Kerry referiu-se à América Latina como “nosso quintal”, gerando o protesto enérgico dos países da região.

Embora para muitos essa Doutrina tenha sido ultrapassada pelos processos progressistas em curso na região, não se deve perder de vista que nada mudou na visão norte-americana de seus vizinhos do sul. O fato é que os EUA foram modificando seus mecanismos e estratégias ao ver que vários países latino-americanos e caribenhos decidiram tomar as rédeas de seus próprios destinos e criar instrumentos de integração independentes de Washington.

Nesse caso está o MERCOSUL, Mercado Comum do Sul, a UNASUL, União de Nações Sul-americanas, a ALBA, Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, e a CELAC, Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos.

Por outro lado, nos últimos anos fracassaram intentonas golpistas em várias nações desta área, ações financiadas pelo governo norte-americano. Em 2002, os EUA apoiaram e financiaram os grupos que organizaram o falido golpe de Estado contra o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Em 2010, o chefe de Estado do Equador, Rafael Correa, foi alvo de uma ação semelhante, também respaldada por Washington.

A realidade regional é muito diferente à de 190 anos atrás, quando o então presidente dos EUA, James Monroe, anunciou sua doutrina encaminhada a colocar a região à mercê dos interesses norte-americanos. Porém, o governo desse país continua tentando impor sua hegemonia através de guerras como as do Iraque e Afeganistão.

Apesar dos anúncios do fim da Doutrina Monroe, o certo é que a Casa Branca mantém sua postura de desrespeito ao continente, e apela a todo pretexto para tratar de justificar sua ingerência contra governos progressistas na região.

(M.J. Arce, 4 de dezembro)



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