As Dez Notícias Internacionais Mais Importantes de 2013

Editado por Juan Leandro
2013-12-27 13:32:59

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1.- Consternação mundial pelas mortes de Hugo Chávez e Nelson Mandela

O venezuelano Hugo Chávez e o sul-africano Nelson Mandela, dois líderes de estatura mundial, faleceram em 2013. Suas mortes tiveram grande impacto internacional.

Após longa luta contra o câncer, o presidente Chávez faleceu em cinco de março passado, em Caracas. Ele tinha retornado à capital da Venezuela após se submeter a uma quarta cirurgia em Havana. Foram quase dois anos de resistência estoica à doença, com o apoio constante de sua equipe médica e de especialistas cubanos.

Hugo Chávez tinha sido reeleito na Presidência em outubro de 2012, porém, não pôde tomar posse. Em oito de dezembro desse ano anunciou que viajaria a Cuba para novo tratamento. Na ocasião, pediu aos venezuelanos que, no caso de falecer, apoiassem a candidatura de Nicolás Maduro na nova eleição que teria de ser convocada.

Meses depois, Chávez morreu. Realizou-se o pleito, e Maduro ganhou. Assumiu a Presidência em 19 de abril passado, em meio a manobras da direita liderada pelo candidato perdedor, Henrique Capriles, que tratou de mergulhar o país no caos.

Contando com o respaldo solitário dos EUA, os que se negavam a reconhecer a vitória de Maduro protagonizaram badernas de rua que foram enfrentadas pela força pública e a população. O saldo foi de oito pessoas mortas.

Já no final do ano, em cinco de dezembro, faleceu o líder da luta contra o apartheid e primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, aos 95 anos de idade.

Mandela foi o homem chave para a erradicação do sistema de segregação racial nesse país. Fiel a seus princípios e a seu sonho de construir uma nação não racial, ele convenceu a maioria negra e à elite branca a optarem pela reconciliação e a paz. Assim, foi aceito por todos como presidente legítimo e iniciou o processo de unidade nacional.

Nelson Mandela foi uma das principais figuras políticas do século 21, e se tornou símbolo da capacidade dos povos de ultrapassar o passado e avançar rumo a um futuro melhor. Ele esteve 27 anos confinado nos cárceres do regime do apartheid, mas nunca cedeu às pressões de seus algozes.

2.- Síria: EUA obrigados a protelar o ataque

Os EUA organizaram um ataque contra a Síria sob o pretexto de que o governo desse país tinha usado armas químicas no conflito armado. Só uma operação diplomática de alcance estratégico, liderada pela Rússia e respaldada pelas autoridades sírias, conseguiu frear a escalada militar de Washington.

No Conselho de Segurança da ONU, os diplomatas da Rússia, China e outros países defenderam a vigência das leis internacionais, enquanto o presidente Barack Obama era empurrado à guerra pelos falcões do Pentágono e do complexo militar industrial.

Obama insistiu em atribuir ao governo sírio o uso de armas químicas em 21 de agosto passado, porém, outras fontes garantiam que os bandos armados opositores tinham sido os responsáveis.

A Rússia propôs eliminar todo o estoque de armas químicas do país árabe, que aceitou a proposta, e isso fez possível protelar o ataque planejado pelas autoridades norte-americanas. A iniciativa estabelecia a participação de especialistas da ONU no processo de destruição desse tipo de armamento.

A missão conjunta da ONU com a OPAQ, Organização para a Proibição das Armas Químicas, tem ressaltado a colaboração efetiva do governo sírio nas operações, consideradas de alto risco.

Nesse contexto, foi marcada para o final de janeiro uma conferência internacional sobre o conflito. À reunião Genebra-2, na Suíça, foram convidadas as autoridades sírias e os representantes dos grupos armados da oposição, que contam com o apoio aberto dos EUA, Arábia Saudita e outras nações, que fazem ouvidos moucos diante das denúncias dos crimes cometidos por esses bandos.

3.- EUA: o grande espião

O governo dos EUA deu ordens para perseguir pelo mundo todo o ex-funcionário da NSA, Agência de Segurança Nacional, Edward Snowden, que revelou documentos sobre a espionagem em massa feita por essa entidade no país e no exterior.

Snowden demonstrou que os EUA monitoram ilegalmente computadores e ligações telefônicas em muitos países, com a colaboração de empresas locais do setor das comunicações. Washington retrucou acusando o ex-agente de espionagem, roubo e uso ilegal de documentação propriedade do governo norte-americano.

Snowden esteve em Hong Kong em junho passado, e depois viajou à Moscou, onde ficou várias semanas confinado no aeroporto à espera da autorização do governo russo para residir nesse país. Ele foi recebido em troca de se manter em silêncio. Isso não foi do agrado dos EUA.

As revelações do ex-agente da NSA gerou fortes críticas dos países que foram alvos das escutas ilegais, da intercepção de correios eletrônicos e da entrada nas redes informáticas de governos e empresas. A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, disse que as operações violaram a soberania nacional, os direitos humanos e as liberdades civis.

A reação enérgica na América Latina contrastou com os resmungos dos dirigentes europeus. Até a chanceler alemã, Angela Merkel, teve seu celular grampeado.

4.- Irã: acordo sobre o programa nuclear

No final de novembro passado, o Irã e o Grupo dos 5+1 chegaram a um acordo sobre o programa nuclear do país persa, que reiterou seu fim pacífico, questionado pelas grandes potências.

O G5+1 é formado pela Rússia, França, EUA, China, Reino Unido e Alemanha. Após quatro meses de conversações em Genebra, seus representantes combinaram com a delegação iraniana estabelecer certas regras ao programa de desenvolvimento atômico válidas por seis meses, para dar tempo a acertar um acordo global e definitivo sobre a questão. Em troca, seriam aliviadas as sanções impostas.

Durante esse prazo, o Irã deve paralisar todo enriquecimento de urânio acima de 5%, e transformar seu estoque atual de 20% em combustível para seu reator de pesquisas situado em Teerã, a capital, ou diluí-lo até 5%. Também, interromper os trabalhos de uma usina atômica de água pesada e permitir maior acesso aos inspetores internacionais, entre outras medidas.

O acordo facilitará a comercialização de petróleo entre o Ira e os países ocidentais, graças à suspensão das punições às agências europeias de seguro naval. Israel, naturalmente, criticou o acordo.

5.- Ultraje europeu ao presidente da Bolívia

A comunidade internacional rejeitou energicamente a violação da imunidade do presidente da Bolívia, Evo Morales, durante viagem à Europa. O ultraje diplomático foi cometido pela Espanha, Itália, França e Portugal, em três de julho.

Os governos desses países europeus impediram o sobrevoo e pouso do avião que levava Morales de volta a Bolívia procedente da Rússia, onde tinha participado de uma reunião de países produtores de gás.

Nessa situação, a aeronave do chefe de Estado boliviano teve de fazer uma escala de emergência na Áustria, e ficou 13 horas paralisada no aeroporto de Viena, sem poder decolar.

O pretexto foi uma suposta informação de que o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA, Edward Snowden, viajava a bordo do avião de Morales. A ação foi qualificada pelas autoridades bolivianas de hostil, arbitrária e discriminatória, e como virtual sequestro do Presidente.

6.- Governo brasileiro escutou os manifestantes

Em meados de 2013, o governo brasileiro escutou as exigências de dezenas de milhares de manifestantes que protestaram contra a subida nas tarifas do transporte público, as dificuldades em serviços básicos como a saúde e educação, e outros problemas.

A direita tratou rapidamente de puxar a sardinha para sua brasa, e acirrar o caráter de protesto contra a presidente Dilma Rousseff e o oficialista Partido dos Trabalhadores.

Dilma escutou as demandas e respondeu com rapidez, ao compreender que havia colocações justas como a de ampliar a democracia participativa e melhorar a qualidade de vida da população. Percebeu que a situação requeria saídas políticas e sociais, e não medidas de alívio provisório.

O governo brasileiro propôs cinco pactos nacionais aos governadores e prefeitos, incluso ideias para uma eventual reforma política. A Presidente dialogou com alguns líderes dos protestos, como o Movimento do Passe Livre, e levou ao Parlamento um pacote de medidas, condizente com sua política e a do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em torno de continuar reduzindo a pobreza e melhorando a situação da população.

7.- Golpismo e mortes no Egito

Em meio a uma violência sem controle, as Forças Armadas do Egito derrubaram em três de julho passado o presidente Mohamed Mursi, que tinha sido eleito como candidato da organização Irmãos Muçulmanos, e assumiram o controle do país.

Mursi esteve um ano na Presidência. O golpe de Estado teve como pretexto seu fracasso nas tentativas de resolver a crise política nacional. O ministro da Defesa, Abdel Fattah el Sissi, anunciou a suspensão da Constituição e a formação de um governo de técnicos. O presidente do Tribunal Constitucional, Adly Mansur, assumiu o máximo posto.

Mursi, isolado e sob pressão, tinha recebido um ultimato do exército para pôr fim aos enfrentamentos entre seguidores e opositores, que se negavam a admitir um governo de tendência islamita. As divergências com o comando militar se tornaram evidentes em novembro de 2012, quando o Presidente aprovou um decreto que tornava imunes suas decisões diante do Poder Judiciário.

Após sua queda, o Egito foi palco de uma violenta repressão dos militares. Em 14 de agosto passado os ocupantes de dois acampamentos no centro do Cairo foram atacados pela polícia. A operação deixou centenas de mortos e gerou o rechaço mundial.

8.- Baixou forte tensão na península coreana

Os EUA, seus aliados europeus e a Coreia do Sul reagiram energicamente e exigiram castigo à Coreia Democrática pelo teste nuclear feito em 12 de fevereiro passado. As autoridades norte-coreanas rejeitaram a política de “dois pesos – duas medidas” dos EUA quanto ao tema nuclear, e denunciaram que Washington não faz o mesmo quando se trata de Israel.

Nesse contexto, o Conselho de Segurança da ONU aprovou novas sanções, e a tensão entre o Norte e Sul da península coreana chegou a um alto nível. Contudo, a crise foi esmorecendo nos meses seguintes e ambas as partes retomaram os contatos para reabrir a zona econômica compartilhada.

9.- Colômbia: caminho tortuoso à paz

O diálogo em Havana entre representantes do governo da Colômbia e da guerrilha das FARC, Forças Armadas Revolucionárias, representou um raio de esperança quanto à solução do conflito armado nesse país, iniciado há mais de 50 anos.

As conversações cumpriram um ano em novembro passado, com acordos preliminares em torno do desenvolvimento agrário integral e da participação política após a desmobilização dos insurgentes, e avanços noutros pontos da agenda. O propósito é alcançar uma paz estável e duradoura.

No começo de 2013, as autoridades colombianas assinaram um acordo com a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte. O documento disparou a alarma entre as nações da América Latina, principalmente na vizinha Venezuela, que exigiu explicações. O presidente Juan Manuel Santos garantiu que se tratava apenas de um convênio de troca de informações com a aliança militar e o atrito foi superado.

Em setembro, o governo e os camponeses em greve chegaram a um acerto para suspender o bloqueio de estradas e a greve deflagrada em 13 departamentos da Colômbia. Deram-se respostas a exigências no setor agrário e aprovadas salvaguardas para a importação de vários itens, perdoadas dívidas rurais e congelada uma resolução que estabelecia a destruição de sementes nacionais.

Já no final do ano, dezenas de milhares de colombianos externaram seu apoio ao deposto prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, e rejeitaram a postura do Procurador Geral, Alejandro Ordóñez, que tomou a determinação em nove de dezembro.

10.- Catástrofes em 2013: tufão Haiyan

Nos últimos 12 meses o planeta foi palco de grandes catástrofes, com destaque para o furacão Haiyan, que devastou grande parte das Filipinas. Também houve inundações na Índia, desabou uma fábrica têxtil em Bangladesh e um acidente ferroviário letal na Espanha.

Nas Filipinas, o supertufão arrancou árvores, destruiu povoados, inundou grandes áreas e provocou ondas de até cinco metros de altura. Mais de 10 milhões de pessoas perderam seus bens de maneira total ou parcial, e 10 mil morreram segundo estimativas de organismos internacionais. Com ventos de até 314 quilômetros por hora, o Haiyan foi considerado o mais forte do ano.

Na Índia, as inundações e deslizamentos de terra causados pela chuva deixaram saldo de cerca de mil mortos. Milhares de pessoas ficaram isoladas, e a força das águas destruiu casas, pontes e estradas.

Em abril passado, o desabamento de um prédio em Bangladesh onde funcionava uma fábrica têxtil mostrou ao mundo a exploração de mão de obra pelas multinacionais, cientes das condições precárias em que trabalham essas pessoas. Essa foi uma das maiores tragédias no setor da moda de baixo custo. Mais de 370 funcionarios morreram esmagados pelos entulhos.

Na Espanha, um trem de passageiros saiu dos trilhos em Santiago de Compostela. Houve 78 mortos. O condutor foi detido e acusado de homicídio por imprudência ao ficar provado que o comboio viajava a excesso de velocidade numa curva.


 



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