Conferência de Imprensa do Presidente Díaz-Canel
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou na quinta-feira que, apesar das dificuldades e das medidas de pressão impostas pelos Estados Unidos, a rendição não é uma opção para a nação caribenha.
“Há muitos cubanos e cubanas dignos que deram a vidas por este país, pela independência deste país ao longo da história”, enfatizou durante uma longa conferência de imprensa com meios de comunicação nacionais e internacionais.
Nesse sentido, prestou homenagem aos “32 companheiros que tombaram na Venezuela”, cuja atitude, disse, é uma lição de dignidade e soberania.
Díaz-Canel denunciou que Cuba não recebe combustível desde dezembro devido ao endurecimento do bloqueio contra a Venezuela, o que criou uma situação complexa que afeta a produção de energia elétrica e as atividades econômicas e sociais básicas.
Diante disso, detalhou um plano que inclui a atualização das diretrizes do Período Especial para a poupança, o aumento da extração e do refino de petróleo nacional, a expansão do serviço de gás manufaturado e acelerada transição para fontes de energia renováveis por meio da instalação de sistemas fotovoltaicos.
No cenário internacional, Díaz-Canel agradeceu o apoio imediato da China, da Rússia, do Movimento Não Alinhado e de outros atores globais, assegurando que “Cuba não está sozinha” e convocou o Sul Global a uma mobilização “anti-hegemônica e antifascista”.
Da mesma forma, reiterou a disposição de Cuba em dialogar com os Estados Unidos “sem pré-condições e em pé de igualdade”, e defendeu o direito soberano do país de se preparar para a defesa sob a doutrina da guerra de todo o povo.
Durante a fala, o presidente observou que a nação enfrenta pressões “ que não são impostas a ninguém e muito menos por um período tão prolongado”, mas resiste com criatividade e defende os ideais em que acredita, confiante na vitória.
“Nós, todas as gerações de cubanos, desde os primeiros anos da Revolução até hoje, nossos netos, nossos filhos, nascemos e vivemos bloqueados, e nascemos sob os signos desse estrangulamento econômico”, recordou.
Segundo o chefe de Estado cubano, os Estados Unidos têm tentado caracterizar a situação de Cuba com a teoria do Estado falido, associada a uma das táticas que o governo americano está utilizando para derrubar a Revolução Cubana: o estrangulamento econômico.
Revelou, também, que ações terroristas contra Cuba estão sendo organizadas e financiadas a partir de Washington e anunciou que detalhes desses planos serão revelados em breve.
Quanto aos laços com a República Bolivariana, Díaz-Canel afirmou que Cuba está disposta a continuar sua colaboração com a Venezuela diante do novo cenário imposto após a agressão americana e o sequestro ilegal do chefe de Estado daquele país.
Díaz-Canel observou que os laços econômicos e comerciais, bem como os projetos de colaboração entre as duas nações, incluindo o projeto energético, foram forjados ao longo dos anos e beneficiaram ambos os países e outros na região por meio da ALBA-TCP e Petrocaribe.
“O futuro das relações com a Venezuela”, disse o presidente cubano, “depende da maneira em que sejamos capazes de construí-lo a partir da atual situação de uma Venezuela que foi agredida, cujo presidente e esposa foram sequestrados ilegalmente e são mantidos em uma prisão dos EUA”.
Fonte: Prensa Latina
