Por María Josefina Arce.
O Equador iniciou 2026 lidando com um problema antigo que assola o cotidiano de seus cidadãos: a insegurança desenfreada, alimentada pelo aumento da violência e da atividade do crime organizado.
No ano passado, o mais sangrento da história do país andino, ocorreram aproximadamente 9.000 mortes violentas, superando o triste recorde de 2023, quando foram contabilizados 8.248 homicídios. Passaram-se poucos dias do novo ano e o alto nível de violência persiste, com inúmeros incidentes criminais.
A resposta do governo do presidente Daniel Noboa a essa situação alarmante continua sendo a mesma: política de mão dura.
Os cidadãos acordaram em 2026 com a declaração de um novo estado de emergência em nove das 24 províncias e três municípios do Equador.
Em verdade, cinco províncias e três municípios desses territórios já estavam sob estado de emergência desde novembro passado, medida que suspende os direitos à inviolabilidade do domicílio e da correspondência.
Agora, também se informou que cerca de 10.000 militares foram mobilizados para as províncias costeiras de Guayas, Los Ríos e Manabí, as mais afetadas pela violência ligada ao narcotráfico.
Ao mesmo tempo, o alto comando militar foi transferido por tempo indeterminado para Guayaquil, capital de Guayas, a fim de coordenar as operações contra o crime organizado a partir daquela cidade.
Analistas consultados enfatizaram que o problema não se resolve apenas com uma estratégia de mão dura, que inclui o envio de forças militares e a declaração sucessiva de estados de emergência. São necessárias, dizem, políticas que promovam educação, emprego e saúde para conter o crime.
Muitos se perguntam o que poderá oferecer o presidente no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde abordará a questão da segurança, quando uma incessante onda de violência assola o país sul-americano.
A verdade é que Noboa não cumpriu a promessa de acabar com a violência, aliás promessa que o levou à presidência em 2023 e garantiu sua reeleição dois anos depois.
A realidade é que o Equador, hoje, é o país mais violento da América Latina, com uma taxa de homicídios de 51 em cada 100.000 habitantes e uma média de 25 mortes por dia.
