Não há diálogo de alto nível entre os governos dos Estados Unidos e de Cuba, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da ilha, Carlos Fernández de Cossío, em entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal mexicano La Jornada.
“Nem sequer há diálogo em nível intermediário. Trocamos mensagens. O que temos são as conversas de sempre, que já existem há muito tempo. Menos que isso, inclusive”, observou em um contexto marcado pelo endurecimento do bloqueio americano.
Interrogado sobre uma possível mediação entre as duas nações, o vice-ministro declarou que, “se houver vontade, como já aconteceu no passado, vários países poderiam facilitar o processo”.
“Mas Cuba e os Estados Unidos têm relações diplomáticas. Temos até embaixadas em nossas respectivas capitais. Portanto, um canal de comunicação não é necessário. O que precisa existir é vontade”, enfatizou. “
Para Fernández de Cossío, essa possibilidade existe, mas requer que os Estados Unidos estejam dispostos a se engajar em um diálogo sério e respeitoso, que leve em consideração a impossibilidade de violar os direitos e prerrogativas soberanas de qualquer uma das partes.
“Não é muito pedir. Nada do que Cuba está propondo é irracional. Cuba não é um domínio dos EUA. Não é uma colônia. Nem dos Estados Unidos, nem de qualquer outro país. É um Estado soberano”, enfatizou.
Da mesma forma, ressaltou que “o que está acontecendo agora com o combustível não começou agora, já que em 2019 Washington iniciou uma política de “ameaças de sanções contra empresas de transporte, seguradoras, resseguradoras e até mesmo portos que transportassem petróleo bruto para Cuba”.
“A novidade da medida de 29 de janeiro é que ameaça com retaliações econômicas e comerciais os países que exportem combustível para o nosso país”, disse, aludindo à ordem executiva assinada naquele dia por Trump.
No seu entendimento, isso tem duas implicações: o impacto cruel e profundamente prejudicial sobre a população cubana e o impacto global.
“A determinação de Washington de dizer ao resto do mundo se podem ou não vender petróleo para Cuba significa que está restringindo a soberania dessas nações”, ponderou o vice-ministro das Relações Exteriores. E alertou que “o que está acontecendo com Cuba hoje poderia acontecer com qualquer país, sem limites”.
Fonte: Prensa Latina
