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O desafio de ser jornalista em algumas nações da América Latina

O desafio de ser jornalista em algumas nações da América Latina

O desafio de ser jornalista em algumas nações da América Latina

Por Maria Josefina Arce

O recente sequestro e posterior assassinato de uma equipe de imprensa do jornal equatoriano El Comercio traz à tona de novo quão perigoso é exercer o jornalismo na América Latina.

A equipe tinha viajado até a fronteira com a Colômbia para coletar informação sobre a violência provocada por grupos armados colombianos naquela região.

As mortes de Javier Ortega, Paúl Rivas e Efraín Segarra e, mais tarde, da jornalista salvadorenha Karla Turcios se somam à longa lista de profissionais dos meios de comunicação que são assassinados por informar e denunciar a corrupção, o crime organizado e o tráfico de drogas em cada país.

Só no ano passado, 42 jornalistas foram assassinados em nove países da América Latina, sendo o México a nação que detém a maior fatia desses lastimáveis acontecimentos, com 62 por cento.

Nos primeiros 35 dias deste ano, sete jornalistas tinham sido mortos por sicários pagos por políticos corruptos, financiados pelo tráfico de drogas, pelo mero fato de serem críticos e éticos, por divulgarem a verdade.

Por incrível que pareça isto está acontecendo numa região onde nem sequer há guerra.

Guadalupe Fierro, presidente da União Nacional de Jornalistas do Equador, afirmou que seus companheiros cumpriam seu dever dando cobertura a acontecimentos noticiosos. E advertiu sobre as práticas coercitivas que violam a liberdade de expressão e fazem parte da política de amedrontamento de forças antidemocráticas e delinquenciais.

Conforme o relatório “Liberdades em Resistência”, divulgado no ano passado pela seção México da ONG internacional Artigo 19, 99, 7 por cento das investigações por agressões a jornalistas permanecem arquivadas na impunidade.

O documento precisa que das 798 apurações iniciadas em 2010, a Procuradoria Especial para Atendimento aos Delitos cometidos contra a Liberdade de Expressão só resolveu três casos.

Em seu trabalho do dia a dia, os jornalistas também são espancados, recebem ameaças de morte e seus telefones são grampeados pelas autoridades, como denunciaram os trabalhadores do grêmio no México.

Estes não são os únicos problemas. Em algumas nações da região a chegada ao poder de governos neoliberais conduziu ao fechamento de meios de comunicação. Estamos falando concretamente na Argentina, onde o presidente Maurício Macri cancelou as transmissões da rede noticiosa latino-americana Telesur.

Estima-se que uns três mil trabalhadores do setor acabaram demitidos, e a pluralidade de vozes e o fim da perseguição ao jornalismo crítico que pregava Macri durante sua campanha eleitoral não passaram de meras palavras que o vento levou.

A realidade é que intimidações, sequestro, assassinato e demissões são alguns dos muitos riscos que correm hoje em dia os que amam sua profissão de comunicadores e têm a missão de informar e denunciar os problemas que se enfrentam em seus países.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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