Nova crise entre Rússia e Ucrânia

Por: Guillermo Alvarado

Uma nova crise surgiu no domingo, 25 de novembro, quando a armada russa deteve por terem violado seu espaço marítimo três embarcações ucranianas com suas respectivas tripulações que navegavam do porto de Odessa, no mar Negro, ao embarcadouro de Mariupul, no mar de Azov.

É um capítulo a mais no conflito entre as duas nações cujo ponto culminante ocorreu em 2014 quando um golpe de Estado apoiado por Ocidente depôs o então presidente ucraniano Viktor Yanukovich que se refugiou em Moscou. Em seu lugar, foi colocado Petro Poroshenko, um forte aliado de Washington e dos setores mais à direita da União Europeia.

Naquele mesmo ano, na península da Crimeia se realizou um referendo e a população quis que fosse incorporada na Rússia. A Ucrânia não admitiu tal decisão, disse que era ilegal, porém para Moscou a consulta foi feita ao espírito das leis vigentes.

No mês de maio passado, foi inaugurado o primeiro trecho de uma ponte de 19 quilômetros que liga Crimeia à Rússia sobre o estreito de Kerch, um pequeno braço de água que une os mares Negro e de Azov, teatro do recente incidente.

Um comunicado russo assinala que os três navios tentaram atravessar o estreito ilegalmente e por isso a armada russa se viu obrigada a utilizar a força para contê-los. O texto diz tratar-se de uma provocação para que Ocidente aprove novas sanções contra a Rússia.

Nessa zona funciona um sistema através do qual as embarcações que precisam cruzar de um mar ao outro podem pedir autorização e navegar num horário estabelecido, o que não foi respeitado pelos ucranianos.

Konstantin Kosachov, chefe do comitê de Assuntos Internacionais do Senado russo, disse que o objetivo final era acusar seu país pela resposta dada a esta provocação e considerá-la um ato de guerra.

Como se tudo já estivesse planejado, a Ucrânia declarou imediatamente o estado de prontidão, Estados Unidos e a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte – se apressaram a condenar a Rússia, ao invés de propiciar uma investigação independente destinada a determinar como ocorreram os fatos.

Sem dúvida, é um incidente grave num ponto nevrálgico do planeta que poderia ter sérias consequências e, de certo modo, guarda relação com ações que Washington propicia em outros lugares, como no Oriente Médio e na região do Golfo Arábico Pérsico, principalmente contra Irã.

Poderia ser, também, uma desculpa para mobilizar tropas da OTAN rumo à Ucrânia sob o pretexto de garantir sua segurança ante supostas agressões russas, um sonho de várias potências ocidentais.

Estados Unidos e seus aliados não se conformam com o fato de a Federação Russa ter se transformado numa potência respeitada e influente. Por isso, procuram argumentos para justificar uma agressão ou manter e endurecer a política de sanções que objetivam enfraquecer a economia e conter o desenvolvimento nesse país.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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