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A herança envenenada

Por Guillermo Alvarado

Uma pesquisa feita por peritos a pedido da Organização Mundial da Saúde – OMS-, o Fundo da ONU para a Infância- UNICEF- e a revista The Lancet, revela que a maioria dos países não faz o suficiente para garantir um mundo mais sadio e limpo às crianças e à juventude.

As conclusões do trabalho assinalam: apesar dos esforços concentrados em melhorar a saúde da infância e dos adolescentes nos últimos 20 anos, tais progressos poderiam estagnar e até recuar não só nos países pobres, mas também nos mais desenvolvidos.

Isto ocorre por não terem sido levadas em conta seriamente a mudança climática derivada da irresponsável emissão de gases poluentes à atmosfera, o desmatamento e a ampliação das fronteiras agrícolas e urbanas.

A pesquisa insiste na necessidade de repensar o bem-estar da criança para lá dos parâmetros clássicos de mortalidade infantil, acesso aos serviços da saúde, alimentação, educação higiene básica e proteção contra os maus tratos e a violência.

Os peritos assinalam as graves consequências do aquecimento global para os que herdarão um planeta cada vez mais hostil, com eventos da natureza extremos – chuvas e estiagens -, falta de alimentos e a proliferação de doenças como a malária e a dengue, que provocam epidemias cada vez mais mortais e difíceis de combater.

O fato é que não existe uma vontade de lutar verdadeiramente contra esses problemas, não obstante de as evidências do desastre anunciado estarem na frente dos olhos de todos, como os graves incêndios no Brasil, ou as tempestades que castigaram a Europa nas últimas semanas.

Os Acordos de Paris sobre a mudança climática foram assinados em 2015 e seu conteúdo deve ser implementado em dezembro de 2020.

Faltando poucos meses para sua implementação, há muito para fazer e o acordo enfraqueceu depois de os EUA – um dos principais emissores de dióxido de carbono à atmosfera – ter se retirado do mesmo.

A pesquisa dirigida pela OMS e o UNICEF, cujos extratos foram publicado pelo jornal francês “Le Figaró”, detalha outro grave risco para crianças e jovens: o excesso de publicidade comercial, que bombardeia com mensagens consumistas as novas gerações.

Só nos EUA, há crianças que assistem, em média, a 30 mil anúncios comerciais ao ano que incitam a consumir comida sucata e outros maus hábitos de alimentação, até fumar e beber. Não é casualidade que de 1975 a 2016 o número de menores obesos subiu de 11 milhões a 124 milhões.

Todas estas informações são oportunas para recordar que boa parte da humanidade somos pais e avôs e almejamos que nossos filhos e netos possam viver num mundo melhor desde todos os pontos de vista.

A herança que estamos deixando, todavia, é um legado amaldiçoado, envenenado e pouco viável para que nele floresçam a vida e a felicidade.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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