A porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, instou as autoridades do Afeganistão e do Paquistão a evitar novos confrontos e resolver suas diferenças por meio do diálogo.
“Estamos preocupados com a drástica escalada dos confrontos armados entre o Emirado Islâmico do Afeganistão e a República Islâmica do Paquistão, que envolvem o uso de unidades do exército regular, aeronaves e armamento pesado”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
A diplomata lamentou que, como resultado dos confrontos, “há mortos e feridos em ambos os lados, civis inclusive”.
Zakharova também enfatizou que as duas nações são amigas da Rússia, portanto, insistiu na necessidade de renunciar a um confronto perigoso e retornar à mesa de negociações para resolver todas as diferenças por meios políticos e diplomáticos.
Anteriormente, o enviado especial do presidente Vladimir Putin para o Afeganistão, Zamir Kabulov, tinha comentado que Rússia está preparada para mediar, se ambas as partes solicitarem.
“Estamos defendendo que os ataques recíprocos entre Islamabad e Cabul cessem o mais rápido possível e as diferenças sejam resolvidas por meio da diplomacia”, afirmou Kabulov, que também atua como conselheiro do ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Afeganistão anunciou o início de uma operação de retaliação contra o Paquistão nas áreas fronteiriças de Khost, Nuristan, Paktika e outras províncias, após ataques aéreos no fim de semana anterior que, segundo as autoridades afegãs, deixaram dezenas de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.
As forças paquistanesas responderam com ataques aéreos nas regiões afegãs de Cabul, Kandahar e Paktika.
O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o Afeganistão. Islamabad alega ter matado pelo menos 133 soldados paquistaneses; Cabul, por sua vez, reivindicou a morte de 55 militares paquistaneses.
A fase anterior de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão começou na segunda semana de outubro. Durante esse período, as hostilidades se espalharam por toda a Linha Durand, uma fronteira não reconhecida por Cabul. Ambos os países do sul da Ásia acusaram-se mutuamente de instigar a violência.
O Paquistão declarou que os ataques foram uma resposta a ações perpetradas pelo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e outros grupos armados ilegais que encontram refúgio em território afegão. Já as autoridades afegãs afirmaram que tinham retaliado violações de sua integridade territorial.
Fonte: Prensa Latina
