O presidente Miguel Díaz-Canel dirigiu-se à imprensa para discutir os acontecimentos nacionais e internacionais que impactam sobre a situação do país.
O encontro dá sequência ao realizado em 5 de fevereiro, e a atualização de hoje ocorre após o endurecimentoi da escalada hostil que aplica o governo dos Estados Unidos contra Cuba, que afetou diversos aspectos da vida do país, incluindo o setor energético.
Abrindo o encontro, transmitido por rádio e televisão, o presidente cubano afirmou que, sob a liderança do General do Exército Raúl Castro, líder da Revolução Cubana, e em consulta com os principais órgãos do Partido, do Governo e do Estado cubano, funcionários cubanos conversaram recentemente com representantes do governo dos Estados Unidos.
Entre os propósitos discutidos ressalta, em primeiro lugar, determinar quais problemas bilaterais necessitam de solução; o segundo, identificar os caminhos para a resolução desses problemas; e o terceiro, verificar se há disposição de ambas as partes para tomar medidas concretas em benefício de nossos povos.
Díaz-Canel observou que se trata de um processo muito delicado, conduzido com a discrição necessária em cada etapa; também está sendo abordado com sensibilidade, responsabilidade e grande seriedade, pois se trata de um problema que afeta as relações bilaterais.
Além disso, exige um esforço fundamental, árduo e tenaz para avançar com soluções, para as quais também devemos encontrar um terreno comum que nos permita progredir no processo e afastar-nos do confronto, afirmou.
Nas negociações, o lado cubano expressou sua disposição de conduzi-las com base na igualdade e no respeito aos sistemas políticos de ambos os Estados, à soberania e à autodeterminação de ambos os governos, levando em consideração o senso de reciprocidade e a observância do Direito Internacional.
Em um contexto complicado para o sistema elétrico nacional, Díaz-Canel Bermúdez destacou que, apesar do bloqueio dos Estados Unidos, o principal responsável pela situação crítica, a raiz do problema reside na impossibilidade de ter acesso ao combustível no mercado internacional.
“Não entra combustível no país há três meses”, afirmou e descreveu como a chegada de um navio carregado com diesel e combustível tem sido sistematicamente bloqueada.
Essa situação, observou, levou ao esgotamento das reservas de diesel e combustível que ainda estavam disponíveis para geração distribuída, causando significativa instabilidade.
Nesse ponto, o presidente revelou que o país recuperou e disponibilizou mais de 1.400 megawatts (MW) de capacidade de geração distribuída, mas que essa capacidade não pode ser utilizada devido à falta de combustível. “Se tivéssemos acesso ao combustível, teríamos 1.400 MW adicionais de capacidade de geração durante a noite, o que aliviaria a demanda de pico de eletricidade”, e enfatizou que o déficit atual durante o pico noturno gira em torno de 500 a 700 MW.
Díaz-Canel detalhou a sequência de eventos que levaram aos recentes apagões em massa, incluindo o último, que afetou grande parte do país: “quando as usinas de geração distribuída ficaram offline por falta de combustível, o sistema tornou-se extremamente frágil e pode ocorrer, um dia, que uma unidade desligue de repente e as oscilações resultantes causam o apagão”, relatou.
A recuperação do sistema, explicou, é um processo complexo que requer combustível para os geradores, que fornecem os sinais necessários para a sincronização das usinas termoelétricas e dos parques fotovoltaicos.
Isso já está sendo feito com o mínimo de combustível que tínhamos nas instalações. As medidas delineadas na Estratégia Nacional de Energia continuam sendo implementadas, priorizando a proteção dos serviços essenciais e acelerando os projetos de energia renovável como solução sustentável e soberana a longo prazo.
A esse respeito, ele afirmou:
- A exploração de novos poços e gás associado está aumentando.
- Os planos de produção de gás e petróleo nacional foram reduzidos, com esse aumento teremos mais petróleo para usinas termelétricas.
- O número de consumidores de gás manufaturado na cidade de Havana aumentou em 25.000, e 529.529 novos clientes foram instalados.
- Quatro tanques foram construídos na Base de Superpetroleiros.
- 185 MW de capacidade de geração térmica foram recuperados.
- Parques fotovoltaicos estão gerando entre 49% e 51% da energia durante o dia.
- Quase todas as padarias do país que necessitavam converter sua fonte de energia para panificação já o fizeram, e mais de 715 padarias passaram a utilizar lenha ou carvão.
- 995 sistemas foram instalados em residências isoladas e centros comunitários.• 120 crianças com doenças que exigem climatização em suas casas agora possuem módulos fotovoltaicos.
- 10.034 módulos fotovoltaicos foram instalados para profissionais da saúde e da educação.
- Nas próximas semanas, mais sistemas fotovoltaicos serão incorporados e sincronizados com o Sistema Elétrico Nacional (SEN).
- Um projeto está em andamento para instalar estações de baterias para regular a frequência de carregamento, e o trabalho continua nos oito contêineres restantes para completar a capacidade de 50 MW que ajudará a evitar colapsos do sistema elétrico.
- Um grupo de tratamento diferenciado foi criado para incentivar investimentos residenciais em fontes de energia renováveis, bem como investimentos em nível estatal, tanto para projetos residenciais quanto comerciais.
- Mais de 900 empresas estatais possuem sistemas fotovoltaicos para alimentar suas operações.
- 6.765 residências estão agora conectadas ao Sistema Elétrico Nacional utilizando sistemas fotovoltaicos.
- 636 sistemas de bombeamento utilizam energia solar para fornecer água à população, principalmente para aquedutos comunitários.
- 462 sistemas de bombeamento de água utlizam enegia solar para irrigação agrícola, e ao mesmo tempo estão sendo investidos em energia hidrelétrica e eólica.
EDUCAÇÃO É E CONTINUARÁ SENDO PRIORIDADE EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA
Sobre o impacto da situação atual nos processos de ensino, especificamente no ensino universitário, o presidente cubano voltou à causa principal: o bloqueio energético imposto pelo governo dos EUA. “Como funciona a educação com apagões, sem combustível para transportar professores e alunos, com escassez de alimentos nas escolas, sem as ferramentas fornecidas pelas tecnologias da informação?”, perguntou.”Tudo isso é prejudicado”, disse.
E mencionou que era necessário reformular o currículo tanto do ensino básico quanto do superior, e particularmente nas universidades, onde houve uma mudança para opções de ensino presencial. Essas opções não são novas; elas funcionam mesmo em circunstâncias normais e envolvem o engajamento ativo com a comunidade.
Que isso funcione bem, disse, também depende dos professores, que devem ir mais vezes à comunidade e atender diretamente os alunos lá.
“Estamos nessa situação há um mês, mas nem tudo correu bem”, reconheceu.Algumas regiões se saíram melhor do que outras, o que naturalmente gerou preocupações entre estudantes, professores e famílias, que participaram das discussões realizadas para avaliar e ouvir propostas de estudantes, professores e famílias. Consequentemente, as medidas foram atualizadas e há ações que serão detalhadas pelos dois ministros, o Ministro da Educação e o Ministro do Ensino Superior, na próxima semana.
Díaz-Canel reafirmou que tanto a educação básica quanto o ensino superior são e continuarão sendo prioridades para a Revolução em quaisquer circunstâncias, e assegurou que, assim que a situação atual for superada, as aulas serão retomadas nas condições exigidas pelo processo de ensino.
RELAÇÕES COM OS CUBANOS NO EXTERIOR
O chefe de Estado comentou a posição do governo em relação à comunidade de cubanos residentes no exterior, que ele definiu como parte ativa da nação com o direito de participar do desenvolvimento econômico e social do país.
Enfatizou que é responsabilidade do governo acolhê-los, ouvi-los, auxiliá-los e proporcionar-lhes um espaço de participação.
“Muitos deles são profissionais ou técnicos; são um componente fundamental da mão de obra qualificada que a Revolução desenvolveu por meio do nosso sistema educacional. São pessoas que mantêm suas raízes culturais, sua identidade com a cultura e a nação cubana”, afirmou.
Díaz-Canel ressaltou que essa conexão não é uma política nova, mas sim algo que remonta à história da Revolução.Portanto, como parte dessa aproximação, os principais líderes do país, durante suas visitas ao exterior, realizam encontros sistemáticos com seus compatriotas para ouvir suas propostas e preocupações.
Como resultado de um intenso processo de diálogo promovido pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério do Comércio Exterior, que inclui reuniões regionais e setoriais — como a participação de educadores cubanos residentes no exterior em eventos realizados na ilha —, foi estabelecida uma nova plataforma de apoio. As novas medidas a serem implementadas-explicou- resolvem “quase todas” as questões levantadas e facilitarão a participação deles no programa de desenvolvimento.
CUBA GARANTE TRANSPARÊNCIA NO RECEBIMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE DOAÇÕES
Díaz-Canel destacou a solidariedade dos países amigos com Cuba, com menção especial ao México e à sua presidente, Claudia Sheinbaum, cuja firme defesa do país foi reconhecida e apreciada.
Observou que, no contexto atual, Cuba recebe doações, o que provocou campanhas de difamação na mídia por parte de forças de direita que questionam o uso e a destinação desses recursos.
“A ética da Revolução é indestrutível. Nenhuma campanha pode afetar a transparência e a honestidade com que as doações são distribuídas”, afirmou.
O presidente lembrou a longa experiência histórica de Cuba no recebimento de doações de organizações internacionais, projetos de cooperação, instituições e governos aliados, com um sistema organizado de planejamento, distribuição e fiscalização.
Ele observou que as doações podem chegar em situações de emergência, como furacões, ou outros desastres naturais, por iniciativa de governos amigos ou como parte de projetos de cooperação com agências como o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
“Respeitamos sempre a finalidade do doador. Se uma doação se destina a um centro educacional, de saúde ou comunitário específico, ela é entregue precisamente lá. Em outros casos, quando o doador fornece recursos para um fim geral, o país define as prioridades de acordo com as necessidades mais urgentes”, explicou Díaz-Canel.
O presidente enfatizou que as doações são destinadas prioritariamente às instituições mais vulneráveis, de saúde, educação e assistência social, como maternidades, lares de idosos e centros para crianças sem amparo familiar, e que todos os recursos são distribuídos gratuitamente, sem qualquer benefício econômico para o país, garantindo sua natureza social.
O sistema de controle e transparência – destacou – inclui a participação de assistentes sociais, auditorias da Procuradoria-Geral da República, da Controladoria-Geral da República e dos sistemas internos das instituições envolvidas.
Além disso, representantes de organizações internacionais e embaixadas verificam diretamente o destino das doações, assegurando o uso adequado dos recursos.
Díaz-Canel enfatizou que, no caso mais recente de ajuda do México, a embaixada mexicana visitou os locais de entrega, confirmando a distribuição às famílias cubanas.
“A relação comercial com o México inclui produtos que são vendidos no país, mas as doações são separadas e administradas com absoluta transparência”, insistiu.
O presidente concluiu assegurando que qualquer tentativa de manipulação da mídia não afeta a ética e a transparência com que o governo cubano e a Revolução operam, garantindo que as doações cumprem seu propósito de apoio social e comunitário.
TENTATIVA DE ATAQUE ARMADO COM OBJETIVOS TERRORISTAS
Sobre a frustrada infiltração armada de um comando terrorista na costa de Villa Clara, o presidente cubano declarou: “O fato é precisamente esse: uma infiltração armada com objetivos terroristas, financiada e organizada a partir de território americano.” Disse que estavam fortemente armados, o que demonstra suas intenções e a falácia da alegação de que estavam vindo em busca de famílias. Pensam que podem enganar um povo com tal mentira?”
Ele informou que o objetivo era assaltar unidades militares e centros sociais, para gerar confusão e medo.
Detalhou que um processo criminal foi instaurado contra os sobreviventes envolvidos, um processo com todas as garantias legais, incluindo o contato com suas famílias, e que os feridos permanecem sob cuidados médicos.
Em relação aos falecidos, ele afirmou que suas famílias os odentificaram.
Diaz-Canel especificou que, nas investigações, todos os envolvidos admitiram sua participação, afirmando que foram os primeiros a atirar contra os guardas de fronteira cubanos e forneceram detalhes sobre o recrutamento, a organização, o treinamento e o financiamento, incluindo nomes, instituições e objetivos.
Ele observou que dois dos detidos constam da Lista Nacional de Pessoas e Entidades Terroristas e que as informações foram prontamente repassadas à contraparte americana, que agradeceu e, por meio de canais diplomáticos, se prontificou a participar da investigação.
O chefe de Estado anunciou que uma visita do FBI (Departamento Federal de Investigação dos EUA) está agendada para colaborar com o ministério do Interior cubano.
Díaz-Canel confirmou que há cooperação bilateral no assunto.
Dois dias após o incidente, relatou, visitamos o comandante da embarcação cubana no hospital, um jovem ferido por estilhaços de atacantes que pretendiam matá-lo.
Vem de uma família humilde e mesmo ferido, permaneceu no comando até que seu enfraquecimento o obrigou a entregar a missão a outro camarada.
Há muitas lições, disse, que, somadas a dos companheiros que tombaram em combate na Venezuela, deixam os cinco guardas de fronteira que frustraram o ataque de uma força que os superava em número de homens e armamentos em uma proporção de dois para um.
Afirmou que a bravura deles fortalece convicções e inspira em situações difíceis.
“Quando os heróis têm rostos, nomes, sua história é um exemplo do que se multiplica em milhares de combatentes.”
Da mesma forma, se referiu aos dez panamenhos detidos e processados por atividades subversivas, que forneceram detalhes sobre quem os recrutou, organizou e financiou, informações que serão divulgadas oportunamente.
COOPERAÇÃO BILATERAL
O presidente cubano afirmou aos jornalistas presentes que Cuba tem cooperado com o desenvolvimento de outros países por meio de programas governamentais e que há amplo reconhecimento do papel que desempenhou.
Enfatizou o profundo vínculo de povo a povo que caracteriza a política externa cubana, bem como o legado histórico de fraternidade com a América Latina e o Caribe.Citou como exemplo a recente comemoração no México do Grito de Dolores, onde ambos os líderes destacaram os laços que unem suas nações, um sentimento que, segundo ele, encontra eco em todos os cantos do mundo onde médicos, colaboradores ou combatentes internacionalistas cubanos chegam.
Em relação às ações unilaterais, o presidente reafirmou que a força de Cuba diante dessas agressões reside precisamente nas virtudes e valores que, em sua opinião, inspiram admiração, e não rejeição, na comunidade internacional.
DÍAZ-CANEL REAFIRMA SOBERANIA NAS DECISÕES DA REVOLUÇÃO
Díaz-Canel afirmou que as decisões adotadas pelo governo cubano em relação à aplicação de benefícios legais a certos indivíduos são práticas soberanas, decididas por Cuba de forma autônoma e sem imposição externa. “Esta não é uma prática inédita; já a implementamos em outras ocasiões. Esses benefícios reconhecem a boa conduta dos indivíduos e refletem nossa visão humanista e a maneira como a Revolução garante a justiça”, declarou Díaz-Canel.
O presidente alertou que, como já ocorreu em outras ocasiões, podem surgir campanhas midiáticas ou distorções a respeito dessas decisões, mas reiterou que o governo mantém sua postura soberana e transparente.
Díaz-Canel agradeceu a presença dos representantes da imprensa, reconhecendo suas atividades pelo Dia da Imprensa Cubana.
