Por Roberto Morejón.
O bloqueio dos EUA a Cuba, intensificado ao extremo com o boicote aos fornecedores de petróleo, gerou uma onda de apoio à Ilha, particularmente no México.
O ex-presidente Andrés Manuel López Obrador escreveu uma mensagem comovente pedindo doações ao povo cubano, dado o aumento das carências materiais causado pelo bloqueio que aplicam os EUA.
O líder mexicano, aposentado e com aparições públicas ocasionais, publicou uma mensagem nas redes sociais, destacando a frase: “Dói que busquem exterminar o povo irmão de Cuba”.
O desabafo reflete que o ex-presidente está profundamente afetado pelo que está acontecendo na Ilha.
Os cubanos estão expostos ao que muitos preveem como uma potencial crise humanitária.
O governo Trump está impedindo que fornecedores entreguem combustível a Cuba, numa tentativa de prejudicar o povo cubano e, por meio de seu descontentamento, desestabilizar o governo.
O ex-presidente mexicano compreende a dimensão do bloqueio energético imposto ao povo cubano e fez um apelo por doações à associação civil Humanidade com a América Latina.
Essa organização canaliza fundos voluntários para a compra de alimentos, medicamentos e combustível destinados à nação caribenha. Em convocação que publica o jornal La Jornada, ativistas, intelectuais, acadêmicos, cidadãos e jornalistas mexicanos instam a arrecadar fundos para apoiar o povo cubano.
Esta população está atualmente sujeita a apagões frequentes, dificuldades no acesso à água e combustível para cozinhar, e com serviços de saúde e educação reajustados.
A iniciativa de La Jornada surge em um contexto no qual a atual chefe de Estado, Claudia Sheinbaum, ordenou o envio de três carregamentos de doações a Havana. Anteriormente, havia autorizado a venda ou entrega de petróleo por razões humanitárias — o mesmo petróleo que vinha chegando com dificuldade a Cuba, pois Trump ordenou parar navios e, posteriormente, cortou o fornecimento da Venezuela após o sequestro de seu presidente.
Tanto no México quanto em outros países que fizeram doações a Cuba, há rejeição à reivindicação do presidente dos EUA de ter o poder de decidir como e quando podem ser feitas operações comerciais no mundo.
Isso, que mina o direito internacional, é profundamente preocupante, pois qualquer outro Estado poderia ser alvo de um ataque semelhante depois de Cuba.
