Por María Josefina Arce.
O presidente argentino, Javier Milei, passou os últimos dias viajando. Ele visitou os Estados Unidos, o Chile e foi à Espanha para participar de um fórum de extrema-direita.
Enquanto isso, em seu país, setores essenciais como a educação enfrentam severos cortes orçamentários que colocam em risco o futuro de crianças e jovens.
O governo Milei reduziu as verbas destinadas à educação ao seu nível mais baixo em décadas. O orçamento de 2026, aprovado pelo Congresso, destina apenas 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação.
Segundo os especialistas, isso viola uma lei que data de faz 20 anos atrás, que o governo busca substituir, e que estipula um mínimo de 6% do PIB para esse setor.
Agora o Ministério da Educação operará com 50% menos recursos em comparação com 2023. Escolas técnicas, infraestrutura, equipamentos, formação de professores e universidades são as áreas mais afetadas.
Desde segunda-feira passada, as universidades estão em greve nacional de cinco dias, exigindo a implementação efetiva da Lei de Financiamento Universitário e aumentos salariais.
Na semana passada, o Conselho de Administração da Universidade já havia declarado estado de emergência orçamentária para este ano, uma vez que os recursos alocados não incluíam o que estava estipulado na referida legislação.
Essa lei visa garantir recursos para a manutenção do sistema universitário nacional e a melhoria dos salários dos trabalhadores do setor.
A batalha por essa lei tem sido longa. Aprovada pela primeira vez pelo Congresso em 2014, foi vetada por Milei. Posteriormente, em 2015, após ser aprovada novamente pelo Legislativo, o Executivo emitiu um decreto que a promulgava, mas suspendia sua implementação.
Nesse contexto, o presidente busca reformar a educação para diminuir o papel do Estado e caminhar rumo à privatização, fomentando a desigualdade.
Milei parece não entender que o investimento em educação é estratégico para o desenvolvimento do país e que, com sua proposta, hipoteca o futuro dos jovens e, portanto, o da Argentina.
