Por Roberto Morejón.
A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã está semeando morte e destruição, elevando os preços do petróleo, dos alimentos e dos fertilizantes, e obstaculiza o transporte habitual de medicamentos.
Os especialistas não prognosticam crise imediata no fornecimento de produtos farmacêuticos, mas há relatos de tensões no transporte e aumento de custos, à medida que parte do mundo se torna cada vez mais dependente de suprimentos provenientes da Ásia.
A logística para o transporte de princípios ativos farmacêuticos ou produtos acabados foi tão alterada pela guerra contra o Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz que os importadores tiveram que recorrer ao transporte aéreo cientes de que isso aumentaria os preços.
As pressões sobre as cadeias de suprimentos de medicamentos e insumos médicos persistem, visto que importantes rotas marítimas estão obstruídas e rotas alternativas, saturadas.
Somado a tudo isso, o aumento do preço do barril de petróleo, essencial para garantir a logística de matérias-primas, leva os especialistas a prever escassez de medicamentos.
Por enquanto, o Fundo de População das Nações Unidas atrasou a entrega de equipamentos para 16 países, caixas de alimentos para crianças desnutridas na Somália estão retidas na Índia e medicamentos avaliados em US$ 130.000 destinados ao Sudão permanecem presos em Dubai.
Evidentemente, a guerra está tendo um grande impacto sobre o sistema de saúde do Irã, alvo de bombardeios incessantes dos Estados Unidos e de Israel, segundo relatam grupos de ajuda humanitária.
Milhões de pacientes com doenças crônicas estão sentindo o peso do conflito na República Islâmica, especialmente aqueles que dependem de medicamentos e cuidados clínicos contínuos, aqueles que consultam seus médicos regularmente ou aqueles que se beneficiam de terapias essenciais.
De Teerã, chegam relatos de interrupções ou dificuldades na continuidade de serviços vitais, como vacinação e procedimentos para doenças crônicas.
Os médicos estão trabalhando com recursos limitados e sob pressão constante, pois os ataques de aviões e mísseis israelenses e americanos também estão danificando instalações civis.
Devido à imposição da linguagem da violência, a comunidade internacional precisa enfrentar o que a ONU descreveu como a interrupção da cadeia de suprimentos de medicamentos e outros itens, a mais significativa desde a pandemia de Covid-19.
