María Josefina Arce.
Quase três décadas de ditadura Duvalier, um golpe de Estado e intervenções estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos, fazem parte da história recente do Haiti. O país está mergulhado há muito tempo em profunda instabilidade política e social e em uma grave crise de segurança.
O assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021 exacerbou a violência na pequena nação caribenha, onde gangues atualmente controlam partes do país, especialmente Porto Príncipe, a capital.
E, como sempre, as crianças estão entre as mais afetadas pela crise humanitária e pela insegurança predominante. Além disso, os menores de idade se tornaram uma fonte de recrutamento para grupos armados.
A situação é alarmante. Gangues expulsam famílias de suas casas e comunidades, impedindo-as de acessar escolas e serviços básicos, o que torna as crianças mais vulneráveis ao recrutamento — uma violação do direito internacional e dos direitos desse segmento da população.
Uma em cada oito crianças é deslocada internamente devido à espiral de violência que assola o país, segundo organizações internacionais.
O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, alertou que, até 2025, esses grupos armados recrutaram 200% mais meninos e meninas para suas fileiras.
A agência da ONU observou que as mais vulneráveis são as crianças sem família ou que foram separadas de suas famílias e estão tentando sobreviver sozinhas nas ruas.
Segundo as Nações Unidas, as crianças são usadas como vigias, mensageiras e informantes e, nos piores casos, também participam de confrontos armados e sequestros para extorsão.
A situação é ainda mais sombria para as meninas, que enfrentam exploração sexual, estupro e relacionamentos forçados com membros de gangues armadas.
Como afirmam especialistas, é um momento terrível para ser criança no Haiti, onde a violência de gangues é implacável e a pobreza e a fome estão em ascensão.
