Por Roberto Morejón.
Líderes de países do Sul Global reiteraram suas demandas para que os fabricantes de armas reduzam as entregas e sejam alocados mais recursos para projetos que beneficiem a humanidade.
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, abordaram essa questão controversa em discursos separados na 4ª Cúpula em Defesa da Democracia.
No fórum realizado em Barcelona, Sheinbaum propôs destinar 10% dos gastos globais com armamentos ao reflorestamento de milhões de hectares a cada ano.
A chefe de Estado mexicana retomou um pedido feito originalmente na cúpula do G20 e insistiu em semear a paz em vez da guerra. “Vamos semear vida”, ressaltou.
Vale lembrar que a presidente exigiu maior controle na fronteira entre o México e os Estados Unidos, por onde entram no seu país armamentos sofisticados, projetados para as forças armadas americanas.
As autoridades mexicanas apresentam esse tráfico ilícito como fonte de arsenais para o crime organizado e os cartéis de drogas.
A preocupação que Sheinbaum expressou em Barcelona foi endossada pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, quem afirmou que o mundo gasta trilhões de dólares em armas enquanto as pessoas morrem de fome.
Lula criticou duramente os gastos militares globais, que estimou em aproximadamente US$ 2,7 trilhões anualmente, enquanto milhões vivem em pobreza extrema, um sinal, disse, de falha estrutural nas prioridades do planeta.
Os alertas de Sheinbaum e Lula refletem-se na proliferação de conflitos e tensões geopolíticas em várias partes do mundo.
As receitas com a venda de armas e serviços militares dos 100 maiores fabricantes de armamentos aumentaram quase 6% em 2024, atingindo o recorde de US$ 679 bilhões, de acordo com dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo.
Guerras como a de Israel em Gaza e de Tel Aviv e Washington contra o Irã representam os destinos mais recentes de armamentos sofisticados.
Estados Unidos, o maior comerciante de armas do mundo, faz ouvidos moucos às demandas da humanidade, principalmente às feitas pelos presidentes do Brasil e do México.
