O chefe de Estado cubano Miguel Díaz-Canel presidiu o evento pelo Dia da África na segunda-feira, no Salão Portocarrero do Palácio da Revolução, comemorando o 63º aniversário de criação da Organização da Unidade Africana (OUA), antecessora da União Africana.
Durante a cerimônia, a vice-primeira-ministra Inés María Chapman Waugh detalhou o complexo contexto em que Cuba celebra a data, em meio à intensificação sem precedentes do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba, agravado por duas recentes ordens executivas que impõem um bloqueio energético total e sanções secundárias com alcance extraterritorial.
“Apesar das ameaças da maior potência mundial contra nossa pequena ilha, o povo cubano defenderá sua soberania, independência e autodeterminação a qualquer custo”, afirmou Chapman. Da mesma forma, agradeceu a firme oposição dos países africanos ao bloqueio, condenado na Assembleia Geral das Nações Unidas e no âmbito da União Africana.
A vice-primeira-ministra lembrou que, em fevereiro passado, a organização pan-africana aprovou uma resolução que também condenava a inclusão de Cuba na lista unilateral de supostos Estados patrocinadores do terrorismo. “Cuba não está sozinha”, enfatizou.
Chapman concluiu seu discurso relembrando o legado do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz no centenário de seu nascimento e reafirmou o compromisso de Cuba em continuar cooperando com a África nas áreas de saúde, educação, cultura e agricultura, apesar das limitações impostas pelo bloqueio. “Nas lutas de hoje, temos certeza de que a África continuará ao nosso lado”, declarou.
Por sua vez, a embaixadora da República do Congo e Decana do grupo de embaixadores africanos em Cuba, Rosalie Kama-Niamayoua, reafirmou o apoio fraterno do continente à Ilha e exigiu a cessaçãodo bloqueio. Cuba pode contar com a África, disse. Cuba não é uma ameaça para ninguém, mas sim um exemplo de solidariedade e resiliência, insistiu.
Também estiveram presentes no evento Esteban Lazo Hernández, membro do Bureau Político e Presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular; José Ramón Monteagudo Ruiz, chefe do Departamento Agroalimentar do Comitê Central; e Gerardo Peñalver Portal, Ministro das Relações Exteriores em exercício. Estiveram presentes, também, chefes de missões africanas acreditadas em Cuba, combatentes internacionalistas, colaboradores civis que atuaram na África, artistas com ligações com o continente e estudantes africanos da Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM).
A jornada incluiu a exibição de um vídeo sobre a solidariedade cubano-africana desde a descolonização e a luta contra o apartheid, a apresentação do Conjunto de Sopros Nueva Camerata e uma mostra de danças tradicionais da África Ocidental.
No mesmo dia, o presidente Díaz-Canel, por meio de suas redes sociais, enfatizou o que o continente africano representa para os cubanos. Escreveu que Cuba celebra esta data com um “profundo senso de pertencimento”, expresso na coragem, alegria e resiliência que caracterizam os cubanos, que devem muito à corajosa herança africana daqueles homens e mulheres que foram forçados a deixar o continente africano como escravos e semearam sua cultura poderosa e original em Cuba e em outras terras das Américas.
Por: Claudia Díaz Pérez.
