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Ataques sumários sem castigo

por Irene Fait
Ataque de lanchas en el mar Caribe

Por  Roberto Morejón.

 

Em setembro de 2025, o governo dos EUA iniciou ataques contra o que alega serem embarcações que transportam drogas no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, embora nunca tenha apresentado provas do nascotráfico.

Em uma ofensiva tão controversa quanto obscura, EUA mataram quase 200 pessoas e destruiram 57 embarcações em águas internacionais.

Por meio do uso desproporcional da força militar, os Estados Unidos estão realizando execuções extrajudiciais, como denunciaram especialistas jurídicos.

Apontada pela opinião pública como ação que viola o direito internacional e contrária às leis do país executor, a ofensiva ameaça a América Latina e o Caribe.

O Comando Sul é o principal executor de uma operação inicialmente focada no governo de Nicolás Maduro, embora novos casos tenham sido relatados desde o sequestro do presidente e de sua esposa.

A Operação Lança do Sul, como se conhece o assalto a embarcações suspeitas de tráfico de drogas, começou após terem sido rotuladas, no ano passado, diversos cartéis de drogas como organizações terroristas.

Bastou que fossem apontadas como organizações terroristas para Washington atacar, mesmo se os cartéis não representassem uma ameaça iminente às suas forças navais e aéreas.

Só valeu o que Trump apresentou como uma escalada necessária da violência para conter o fluxo de narcóticos aos Estados Unidos, sem que houvesse nenhuma operação policial dentro do país para reduzir o consumo e o tráfico de drogas.

Especialistas afirmaram que, no caso do fentanil, um alucinógeno letal e na moda, atacar embarcações em alto-mar é inútil, já que geralmente é traficado por terra.

A interceptação e destruição dos supostos barcos de narcotráfico continuam até hoje, mas se esquiva a captura dos supostos autores para levá-los perante os tribunais.

Por incrível que pareça, o mesmo governo que ordena tais ataques alega sentir-se aludido pelo abate, pela força aérea cubana, de dois pequenos aviões há 30 anos em águas territoriais da Ilha.

As aeronaves pertenciam a um grupo terrorista que havia penetrado o espaço aéreo cubano 25 vezes, sendo denunciado pelo governo em todas as ocasiões até que Havana declarou publicamente sua decisão de não mais tolerá-los.

Três décadas depois, a comunidade internacional ainda aguarda que Washington leve aos tribunais aqueles que diz perseguir no Caribe e no Pacífico por supostos vínculos com o narcotráfico.

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