Por Roberto Morejón.
Em um país paralisado em grande parte por marchas e bloqueios de estradas, o presidente boliviano Rodrigo Paz acredita que pode reverter a crise com medidas drásticas e admite que não incluiu a diversidade em seu governo.
Este assunto é muito sério, já que a Bolívia é eminentemente diversa, com uma presença indígena significativa e cujos interesses não podem ser ignorados.
Paz, um político de direita alinhado com o presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta intensa pressão popular há semanas.
Sindicatos, agricultores, organizações indígenas e até mesmo apoiadores da direita estão protestando, dizem que foram traídos por Rodrigo Paz.
O presidente, que prometeu prosperidade, longe de se materializar seis meses após assumir o cargo, se defende da pressão popular simplificando demais as causas, atribuindo-as unicamente à pressão exercida pelos seguidores do ex-presidente Evo Morales.
Paz atribui os protestos de rua e os bloqueios de estradas ao partido MAS, ao narcotráfico e a uma suposta tentativa de golpe — uma visão simplista demais para abordar o dilema.
A crise é tanto política quanto econômica, com uma prolongada escassez de moeda estrangeira, principalmente devido a uma queda de 60% nas exportações de gás nos últimos dez anos.
A isso se somam a corrupção e as contradições entre as promessas de campanha de Paz, consideradas demagógicas por seus críticos, e as medidas impopulares que implementou.
A Bolívia, que atualmente enfrenta escassez de alimentos, combustível e suprimentos médicos em suas cidades, exige também que o chefe de Estado seja responsabilizado por ordenar a importação de combustível contaminado e por elaborar um plano fracassado para reduzir o déficit orçamentário.
Outros opositores do presidente apontam que o presidente dedica muito tempo à reparação das relações com os Estados Unidos e com presidentes de direita da região, em vez de focar no bem-estar social, como havia prometido.
Tudo isso alimenta o clamor para sua renúncia, que agora o governo pode enfrentar porquanto tem via livre para declarar o estado de emergência.
Com a oposição de seu vice-presidente, Edman Lara, e o fato de seu governo não ter membros de origem indígena, Rodrigo Paz está sendo responsabilizado pela eliminação dos subsídios aos combustíveis, revogação de uma lei agrária e por rejeitar novos aumentos salariais.
Muitos bolivianos exigem mudanças e o fim do uso de gás lacrimogêneo.
