O papa Leão 14 advogou pela cultura do encontro, e não do confronto, em seu primeiro discurso na Espanha, no sábado, onde também defendeu o direito internacional e o multilateralismo.
Leão 14 tinha desembarcado um pouco antes no Aeroporto Adolfo Suárez-Barajas para o início de sua visita à Espanha, que incluirá Madri, Barcelona, Las Palmas de Gran Canaria e Tenerife até 12 de junho.
Depois, dirigiu-se ao Palácio Real, onde foi novamente recebido pelos reis Felipe VI e Letizia, e suas filhas, Leonor, princesa de Astúrias e herdeira do trono, e a infanta Sofia. Ao contrário das previsões de que faria um discurso formal, Leão 14 falou longamente sobre questões fundamentais que preocupam a sociedade contemporânea e apelou à “empatia para saber ouvir” como caminho para a paz.
Após cumprimentar as autoridades e o corpo diplomático, ouviu o discurso do rei Felipe VI, no qual se referiu à “dor causada pelos casos de abuso” e reconheceu a “clareza e firmeza” de Leão 14, “essenciais para o processo de cura e a reparação do dano infligido”.
Por sua vez, o papa construiu uma narrativa repleta de simbolismo e mensagens para abordar firmemente questões como o egoísmo, a desigualdade e os confrontos que assolam a comunidade internacional.
“Hoje, a tentação de ganhar popularidade atiçando as chamas da polarização parece estar crescendo, em vez de diminuir; a dignidade humana continua a ser violada. É por isso que precisamos de cultura, interioridade, uma educação gratuita e de qualidade, precisamos de transcendência”, refletiu.
Elaborando seus argumentos, encorajou aqueles com responsabilidades econômicas, políticas e institucionais a darem “um salto qualitativo, uma mudança de rumo nos investimentos destinados a escolas, universidades e pesquisa, para as comunidades locais e para a sociedade civil, como terreno fértil para a participação e a mediação cultural”.
Em um comentário elogiando diretamente o governo de Pedro Sánchez, que também o recebeu no aeroporto e no Palácio Real, Robert Francis Prevost agradeceu à Espanha por “sua fidelidade ao direito internacional e ao multilateralismo, que se traduz em um compromisso ativo com a paz e a solidariedade”.
O papa se referiu, em particular, às narrativas divisivas e à responsabilidade das novas tecnologias, onde, às vezes, “os preconceitos são exacerbados, o pensamento crítico é enfraquecido e interesses prepotentes semeiam instintos de morte”.
Demonstrando um conhecimento profundo da história espanhola, a mais alta autoridade do Vaticano citou como exemplo “a presença do Islã na Península Ibérica” e enfatizou que, “naquele período, não houve apenas confrontos, mas também uma tentativa de criar um espaço para contato, conversa e diálogo sobre o significado da verdade entre cristãos, muçulmanos e judeus”.
A esse respeito, valorizou o papel da Escola de Tradutores de Afonso X, “onde as três religiões colaboraram na tradução do rico patrimônio árabe”.
Em termos mais amplos, disse que tinha ido à Espanha para incentivar uma “reconciliação e cooperação mais profundas entre as diversas forças” de uma nação à qual pediu que “abandonasse as narrativas divisivas e polarizadoras” e “fugisse das abordagens baseadas na identidade”.
“Venho para confirmar, encorajar e inspirar uma fidelidade renovada dos fiéis ao Evangelho, bem como uma reconciliação e cooperação mais profundas entre as diversas forças desta nação”, declarou.
Fonte: Prensa Latina
