Por Maria Josefina Arce.
Por quase duas décadas, sob o governo do MAS (Movimento para o Socialismo), a Bolívia manteve-se distante do Fundo Monetário Internacional (FMI), considerando prejudiciais à soberania do país e ao bem-estar dos bolivianos os ajustes que impõe o Fundo.
Inclusive, um empréstimo multimilionário, negociado pelo governo golpista de Jeanine Áñez com a instituição financeira internacional, foi rejeitado pelo governo do presidente Luis Arce, que governou o país sul-americano de 2020 a 2025.
Porém, hoje, a realidade é outra embora durante sua campanha eleitoral, o atual presidente boliviano, o neoliberal Rodrigo Paz, tenha assegurado que não recorreria ao Fundo Monetário Internacional.
Assim, nos últimos dias, foi anunciado que a Bolívia e o FMI chegaram a um acordo sobre um programa econômico de 36 meses, apoiado por um empréstimo de US$ 1,9 bilhão.
O acordo gerou inúmeras críticas, inclusive de membros da Assembleia Legislativa Plurinacional, que acreditam que o governo está apenas respondendo à difícil situação econômica com mais endividamento.
Segundo especialistas, a implementação das políticas promovidas pelo FMI poderá levar ao fechamento ou privatização de empresas públicas, a uma maior presença de corporações transnacionais em setores estratégicos e à priorização do pagamento da dívida em detrimento do investimento em desenvolvimento.
Estimam que isso resultará em cortes nos gastos públicos, redução de empregos no setor público e modificações em subsídios e programas sociais. Lembram que, no final de 2025, o governo de Rodrigo Paz cortou gastos públicos em 30% e eliminou subsídios aos combustíveis, o que impactou negativamente sobre a economia boliviana, levando ao aumento dos custos de transporte e de bens de primeira necessidade.
Por outro lado, o governo eliminou quatro impostos, incluindo o imposto sobre grandes fortunas, embora muitos alertassem para a redução da arrecadação tributária essencial. Antes de entrar em vigor, o acordo precisa ser aprovado pelo Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional e pela Assembleia Legislativa Plurinacional.
No entanto, existem muitas dúvidas em relação ao acordo da Bolívia com o Fundo Monetário Internacional, conhecido por suas políticas de ajuste que aprofundam as desigualdades e a pobreza, e colocam em risco o futuro das novas gerações.
