A figura do Comandante-em-Chefe Fidel Castro (1926-2016) atinge uma dimensão superior, que o mundo não pode silenciar, mas deve honrar. Todas as homenagens são poucas para comemorar o centenário do revolucionário, imenso em pensamento e ação.
Inúmeras homenagens lhe são dedicadas em Cuba e em muitos outros países, tantas quantas a gratidão daqueles que reconhecem nele a capacidade de evocar sabedoria, nobreza e o espírito de serviço à humanidade.
Entre as vozes mais autorizadas a falar sobre o Comandante-em-Chefe está a do renomado teólogo brasileiro Frei Betto, que não só o entrevistou para o livro “Fidel e a Religião”, como também foi um de seus amigos mais próximos.
Em entrevista exclusiva à Prensa Latina, o intelectual pintou um retrato íntimo, porém transcendente, do líder revolucionário, revelando a dimensão humana de um estadista que marcou o século XX na América Latina.
Fidel Castro era, para Frei Betto, “um amigo muito querido e uma pessoa muito afetuosa”.
O teólogo brasileiro comentou que sua relação com o líder cubano transcendeu o intelectual e o político, tornando-se um laço pessoal.
“Muitas pessoas queriam ser amigas de Fidel e não podiam”, observou, lembrando que, após deixar o cargo de chefe de governo, frequentemente convidado-o para sua casa.
Betto recordou com carinho a maneira como o líder cubano o tratava: “um sentimento, uma mistura de filho e irmão mais velho que eu sentia nele”.
Essa frase resume o calor humano de um líder que, em diversas ocasiões, abandonou o protocolo para demonstrar um afeto quase paternal.
Quando questionado sobre qual mensagem transmitiria àqueles que buscam macular o legado do revolucionário, Betto foi enfático: “Fidel sobreviveu a mais de 20 diretores da CIA e mais de 40 presidentes dos EUA; todos quiseram matá-lo, e ele morreu na cama, cercado por sua família”.
Para ele, Fidel Castro transcende as fronteiras de Cuba e da América Latina: “Ele foi a figura mais expressiva da política latino-americana e caribenha ao longo do século XX, e a direita jamais conseguirá apagar isso”.
Suas declarações, breves, porém precisas, evocam o ser humano por trás do mito, um homem de profundo afeto, capaz de construir pontes onde outros viam abismos e de manter a moralidade e a ética até o fim.
Ao final da entrevista, perguntado sobre como definiria o Comandante em uma palavra ou frase, Frei Betto disse: “Fidel é mais do que uma nação chamada Cuba, mais do que um continente. Ele é um homem da solidariedade, da globalização da solidariedade”.
Fonte: Prensa Latina
